Rinite ou sinusite? Veja como diferenciar e evitar novas crises

Especialistas explicam que rinite afeta a mucosa nasal, enquanto sinusite inflama os seios da face; tempo seco, frio, poeira, mofo e uso excessivo de descongestionantes podem piorar os quadros
Nariz entupido, espirros em sequência, coriza e dor no rosto costumam aparecer com mais força em períodos de tempo seco, frio ou mudanças bruscas de temperatura. O problema é que muita gente trata rinite e sinusite como se fossem a mesma coisa. Apesar de parecidas em alguns sintomas, as duas condições atingem áreas diferentes das vias respiratórias e exigem atenção quando se repetem ou não melhoram.
A rinite é uma inflamação da mucosa nasal, a parte interna do nariz. Ela pode ser alérgica, quando o organismo reage de forma exagerada a poeira, ácaros, mofo, pelos de animais ou pólen, mas também pode ser provocada por irritantes ambientais e infecções. Os sinais mais comuns são espirros repetidos, coceira no nariz, coriza clara e obstrução nasal.
A sinusite, também chamada de rinossinusite, envolve a inflamação dos seios da face, cavidades localizadas ao redor do nariz, da testa e das maçãs do rosto. Nesse caso, além do nariz entupido e da secreção, podem surgir dor ou pressão facial, sensação de peso na cabeça, secreção mais espessa, redução do olfato e mal-estar.
A diferença parece técnica, mas muda tudo na vida do paciente. Na rinite, o incômodo costuma estar mais ligado à reação alérgica ou irritativa do nariz. Na sinusite, o problema pode avançar para cavidades da face, com secreção acumulada, dor mais localizada e sintomas que podem indicar infecção.
Segundo o otorrinolaringologista Miguel Tepedino, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, o nariz funciona como filtro de ar, mas precisa de umidade e temperatura adequadas para trabalhar bem. Quando o ar fica frio e seco, a mucosa resseca, os cílios ficam mais lentos e a secreção mais espessa, reduzindo a capacidade de eliminar partículas e vírus.
A sinusite merece avaliação quando os sintomas não melhoram depois de uma semana, quando há dor facial intensa, especialmente de um lado só, febre alta, secreção nasal espessa e persistente ou piora depois de uma melhora inicial. Sintomas por mais de 10 dias também acendem alerta para possibilidade de infecção bacteriana.
Rinite e sinusite também podem se relacionar. Quando a rinite não está controlada, a inflamação nasal pode dificultar a drenagem dos seios da face. Com isso, há acúmulo de secreção e maior chance de inflamação ou infecção. Isso, porém, não significa que toda crise de rinite vai virar sinusite. A evolução depende da intensidade da inflamação, da exposição aos gatilhos, da presença de vírus respiratórios e da resposta de cada pessoa.
A médica Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, alerta que a rinite não deve ser tratada como um incômodo passageiro quando interfere na rotina. Sintomas que aparecem mais de três dias por semana, atrapalham o sono, prejudicam o rendimento no trabalho ou reduzem a qualidade de vida indicam falta de controle e necessidade de acompanhamento especializado.
A prevenção começa dentro de casa. Poeira, ácaros, mofo, poluição, variações bruscas de temperatura, odores fortes, produtos de limpeza muito perfumados e infecções virais estão entre os gatilhos mais comuns. Manter ambientes ventilados, evitar acúmulo de poeira, lavar roupas de cama com frequência, usar capas antiácaro em colchões e travesseiros, reduzir objetos que juntam poeira e eliminar focos de mofo são medidas simples que ajudam a diminuir crises.
Outro cuidado importante é a lavagem nasal com soro fisiológico. A medida pode ajudar tanto na rinite quanto na sinusite porque remove secreções, partículas inaladas e substâncias inflamatórias. Em períodos de maior exposição ou sintomas, a lavagem pode fazer parte da rotina de cuidado, especialmente para quem tem rinite frequente.
Mas há um alerta importante: descongestionantes nasais não devem ser usados sem controle. Apesar do alívio rápido, eles não tratam a inflamação. Após poucos dias de uso contínuo, geralmente entre três e cinco dias, podem causar efeito rebote, quando o nariz volta a entupir ainda mais.
Antialérgicos, corticoides nasais e imunoterapia podem ser indicados em alguns casos, mas o tratamento deve ser orientado por especialista. Quando as crises se tornam frequentes, a saída mais segura é investigar a causa, controlar os gatilhos e impedir que o problema vire um ciclo de inflamação recorrente.



