Política

Sem Ratinho, Caiado ganha pista livre no PSD e entra mais forte no jogo para enfrentar Lula em 2026

Desistência de Ratinho Jr. reorganiza o tabuleiro presidencial, fortalece o nome do governador de Goiás dentro do PSD e amplia a vitrine de uma gestão que exibe alta aprovação, avanço econômico e indicadores favoráveis em segurança e educação

Thiago Campos Silva
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A saída de Ratinho Jr. da disputa interna do PSD abriu espaço para uma nova leitura do cenário presidencial de 2026: Ronaldo Caiado passou a ocupar, com mais nitidez, o centro das articulações do partido para a corrida ao Palácio do Planalto. A avaliação, que já circulava entre dirigentes e analistas, ganhou corpo após a decisão do governador do Paraná de permanecer no cargo até o fim do mandato, movimento que reposicionou Caiado como o nome mais viável da legenda neste momento.

O avanço não nasce apenas da desistência de um adversário interno. Ele se apoia também em um ativo político concreto: o desempenho de Caiado em Goiás, onde sua administração aparece com 82% de aprovação, segundo levantamento Real Time Big Data divulgado pelo Poder360. Num ambiente nacional ainda marcado por polarização, o governador goiano tenta vender ao eleitor e ao próprio partido uma imagem de gestor com resultados mensuráveis, discurso firme e capacidade de ampliar o debate para além do embate tradicional entre lulismo e bolsonarismo.

A leitura dentro do PSD é de que, sem Ratinho Jr., a disputa passa a se concentrar entre Caiado e Eduardo Leite. Neste recorte, o goiano aparece em vantagem: o Poder360 informou que ele é tratado como favorito e registra leve superioridade sobre Leite nos cenários citados pela cobertura da Quaest de março. A direção do partido, por sua vez, reafirmou que manterá candidatura própria e que a definição deve ocorrer até o fim deste mês.

O ponto que mais interessa ao debate político, porém, está além da engenharia partidária. Caiado tenta transformar Goiás em vitrine nacional. E é justamente aí que sua pré-campanha ganha densidade. O estado registrou alta de 4,4% no IBCR acumulado de 2025, resultado apontado pelo governo goiano, com base em dados do Banco Central, como o melhor do país no período, além de superar a média nacional. Na segurança, Goiás fechou 2025 com 11,27 assassinatos por 100 mil habitantes, abaixo da média brasileira de 15,97, segundo dados divulgados pelo governo estadual. Na educação, relatório da Secretaria de Educação registra que Goiás alcançou 1º lugar no Ideb, com destaque no ensino médio e nos anos finais do fundamental.

Esse conjunto de indicadores ajuda a explicar por que Caiado tenta se apresentar como algo mais do que um nome de circunstância. A mensagem política é simples e poderosa: se a gestão em Goiás virou ativo eleitoral, o governador quer convertê-la em argumento nacional. Em tradução direta para o eleitorado de centro e centro-direita, a narrativa é a de que há um administrador testado, com base regional consolidada, discurso assertivo e resultados para exibir.

O que a desistência de Ratinho muda
A saída do governador paranaense altera a lógica da disputa no PSD por duas razões. A primeira é prática: elimina da mesa um nome que vinha sendo tratado como competitivo e com densidade eleitoral própria. A segunda é simbólica: entrega a Caiado a chance de ocupar, sem tanta dispersão interna, o espaço de candidatura de oposição institucional ao governo Lula dentro de um partido de centro.

Isso não significa, por ora, que a candidatura esteja sacramentada nem que o favoritismo partidário se converta automaticamente em musculatura nacional. As próprias pesquisas públicas mencionadas na cobertura recente mostram que Caiado ainda precisa crescer fora do eixo em que já é conhecido. Na sondagem citada pelo Poder360, ele aparece com 4%, contra 3% de Eduardo Leite, diferença dentro da margem de erro. Ainda assim, dentro do PSD, o dado foi lido como sinal de vantagem na largada após a saída de Ratinho.

A força do nome e o peso de Goiás
O que diferencia Caiado nesta fase é a combinação entre capital político, discurso e vitrine administrativa. Em Brasília, ele é visto como um quadro experiente, com trajetória longa, presença nacional e interlocução no agronegócio, na segurança pública e entre setores conservadores. Em Goiás, tenta sustentar o argumento de que sua gestão produziu um ambiente de previsibilidade e resultados.

Para um jornal, o ponto mais seguro — e mais forte — é este: a desistência de Ratinho Jr. não cria Caiado do zero; ela acelera um movimento que já estava em curso. O governador goiano se filiou ao PSD justamente para se viabilizar nacionalmente, e agora vê a janela se abrir com menos ruído interno.

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