Saúde

Comprimido diário traz esperança inédita para câncer de pulmão

Pesquisa revela que comprimido diário mantém mais da metade dos pacientes com câncer de pulmão avançado sem progressão por sete anos, mas acesso ao tratamento ainda é limitado.

Uma nova esperança surge para pacientes com câncer de pulmão avançado. Um comprimido diário, o lorlatinibe, apresentou resultados inéditos ao manter 55% dos pacientes vivos e sem progressão da doença por sete anos. Esse avanço é significativo para uma doença que, historicamente, significava uma sentença de morte rápida.

Terapia-alvo para tratamento eficaz

O lorlatinibe é parte de uma abordagem chamada terapia-alvo, que ataca alterações genéticas específicas que impulsionam o crescimento de tumores. Ele é eficaz em pacientes cujo câncer de pulmão é impulsionado por uma alteração no gene ALK, presente em 3% a 7% dos casos.

Esse tipo de tratamento representa uma mudança na oncologia, que antes se baseava principalmente no órgão afetado. Agora, com exames genéticos, os médicos podem escolher medicamentos que bloqueiam o mecanismo exato que mantém as células cancerosas ativas.

Desafios no acesso ao tratamento

Apesar dos resultados promissores, o alto custo do lorlatinibe, cerca de R$ 37 mil por mês, limita o acesso a muitos pacientes. Atualmente, o medicamento não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e só é acessível através de planos de saúde ou por decisões judiciais.

Além disso, o diagnóstico molecular necessário para identificar a mutação ALK ainda é um desafio, pois nem sempre está disponível, mesmo em sistemas de saúde privados.

Impacto na vida dos pacientes

Paula Piteri, diagnosticada com câncer de pulmão aos 38 anos, é um exemplo do impacto positivo do lorlatinibe. Após um retorno da doença, ela iniciou o tratamento e agora vive com a perspectiva de um futuro, algo que parecia impossível antes.

Especialistas destacam que os sete anos de acompanhamento dos pacientes são raros na oncologia e mostram uma evolução significativa na eficácia dos tratamentos. No entanto, ainda há desafios a serem superados, como os efeitos colaterais que afetam 77% dos pacientes.

O caminho para o futuro

Os dados levantam questões sobre a eficácia do tratamento em todos os pacientes e a necessidade de mais estudos para entender por que 45% dos pacientes não responderam positivamente. A busca por tratamentos acessíveis e eficazes continua sendo uma prioridade para os profissionais de saúde e para os pacientes.

GED

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