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Entrevista reúne histórias de superação e reforça a importância de não desistir das pessoas

Kelven Salgado e Edson Salém participaram do programa Tempo de Decisão, onde compartilharam experiências, iniciativas de acolhimento e reflexões sobre a importância do apoio familiar, da fé e da perseverança na reconstrução de vidas

A dependência química continua sendo um dos maiores desafios sociais enfrentados por famílias brasileiras. O problema afeta relacionamentos, compromete a saúde física e emocional e frequentemente leva ao rompimento de vínculos familiares e sociais. Foi diante dessa realidade que o programa Tempo de Decisão, da Fox TV Brasil, dedicou uma edição especial ao tema da recuperação de dependentes químicos, reunindo experiências práticas, reflexões e iniciativas voltadas à transformação de vidas.

Apresentado pelo Pr. Epaminondas Filho, o programa recebeu Kelven Salgado, fundador da Comunidade Terapêutica Pedra Viva, e o empresário Edson Salém, idealizador do Projeto Stop, uma iniciativa que atuará em parceria com a instituição para ampliar o suporte oferecido a homens em processo de recuperação.

Logo na abertura, o apresentador destacou que o programa não seria apenas uma discussão sobre drogas, mas sobre pessoas que, aos poucos, desaparecem emocionalmente diante do vício.

Segundo ele, muitas famílias convivem diariamente com situações de sofrimento silencioso, marcadas por recaídas, perdas financeiras, conflitos familiares e desgaste emocional.

Dependência química vai além do usuário

Um dos pontos centrais da entrevista foi a compreensão de que a dependência química não afeta apenas o indivíduo que faz uso de álcool ou drogas.

Ao longo da conversa, Kelven Salgado destacou que o sofrimento se estende para toda a família.

Segundo ele, pais, mães, esposas, filhos e irmãos frequentemente se tornam codependentes da situação, reorganizando suas vidas em função da tentativa constante de resgatar o familiar que enfrenta o vício.

Na avaliação do fundador da Pedra Viva, muitas vezes a família sofre ainda mais do que o próprio dependente.

Isso porque, enquanto o usuário está sob influência das substâncias, familiares acompanham de forma consciente a destruição dos relacionamentos, do patrimônio e da saúde emocional.

A família sofre mais que o dependente.”

A declaração foi um dos momentos mais marcantes da entrevista e serviu para ampliar a discussão sobre a necessidade de orientação e apoio também aos familiares.


Da experiência pessoal ao trabalho de recuperação

A trajetória de Kelven Salgado também foi apresentada durante o programa.

Hoje responsável por uma das comunidades terapêuticas mais conhecidas da região metropolitana de Goiânia, ele revelou ter enfrentado a dependência química durante aproximadamente duas décadas.

Segundo seu relato, a recuperação iniciou-se após passar por um processo semelhante ao que hoje oferece a outras pessoas.

Atualmente, Salgado afirma estar há cerca de 18 anos longe das drogas e dedica sua vida ao acolhimento de homens que buscam reconstruir suas histórias.

Fundada em março de 2010 por Kelven Salgado e Leda Fontes, a Comunidade Terapêutica Pedra Viva, localizada em Abadia de Goiás, atende exclusivamente homens em situação de dependência química e alcoolismo. A instituição utiliza uma metodologia que combina convivência comunitária, fortalecimento espiritual, apoio emocional e reintegração social.

Segundo os participantes, a entidade atua há aproximadamente 17 anos no mesmo local, recebendo pessoas de diferentes regiões em busca de recuperação.


“Essa pessoa é o bebê de alguém”

Entre os momentos mais emocionantes da entrevista esteve o relato de Edson Salém sobre uma conversa que teve com Kelven Salgado.

Segundo o empresário, sua visão sobre dependência química mudou completamente ao compreender que, por trás de cada pessoa em situação de vulnerabilidade, existe uma família que sofre.

A frase que mais o impactou foi simples, mas carregada de significado:

Essa pessoa é o bebê de alguém.”

A partir dessa reflexão, Salém passou a enxergar o problema não apenas como uma questão relacionada ao uso de substâncias, mas como uma realidade humana que exige acolhimento, orientação e responsabilidade coletiva.

Segundo ele, a sociedade frequentemente enxerga apenas os efeitos do vício, ignorando as histórias de dor, abandono e sofrimento que existem por trás de cada caso.


Surge o Projeto Stop

Foi justamente dessa aproximação com a realidade da recuperação que nasceu o Projeto Stop.

Idealizado por Edson Salém, o projeto foi apresentado durante o programa como um braço complementar às atividades já desenvolvidas pela Comunidade Terapêutica Pedra Viva.

O objetivo é acompanhar homens que já avançaram nas etapas iniciais de recuperação, oferecendo orientação, discipulado, fortalecimento emocional, princípios cristãos e apoio para reconstrução de relacionamentos familiares e sociais.

Segundo Salém, o nome surgiu de uma frase compartilhada por Kelven Salgado ao relatar o momento em que decidiu mudar de vida.

Foi quando eu decidi dar um basta.”

A partir dessa ideia nasceu o conceito do projeto.

A palavra inglesa “Stop” representa justamente a decisão de interromper ciclos destrutivos e iniciar uma nova trajetória.

Durante a entrevista, o empresário explicou que o programa prevê acompanhamento contínuo e atividades voltadas ao fortalecimento emocional, espiritual e social dos participantes.


Recuperação exige apoio e perseverança

Outro tema abordado foi o preconceito ainda existente em relação à dependência química.

O próprio apresentador admitiu que, antes de aprofundar seus conhecimentos sobre o tema, acreditava que usuários eram apenas pessoas sem força de vontade ou sem caráter.

Ao longo da conversa, porém, a entrevista demonstrou que a dependência é reconhecida como uma doença complexa, que envolve fatores emocionais, familiares, sociais e comportamentais.

Kelven Salgado reforçou que a recuperação não acontece de forma instantânea.

Segundo ele, trata-se de um processo que exige tempo, disciplina, apoio familiar e acompanhamento adequado.

A recuperação é um processo.”

A frase sintetizou um dos principais ensinamentos apresentados ao longo do programa.


O papel da família

A participação da família também foi apontada como elemento decisivo para o sucesso da recuperação.

Segundo os entrevistados, muitos familiares desejam ajudar, mas não sabem como agir.

Em diversos casos, acabam reforçando comportamentos prejudiciais ou sendo manipulados emocionalmente pelo dependente.

Por isso, a orientação familiar foi apresentada como uma das etapas mais importantes do processo.

Durante a entrevista, os convidados destacaram que a recuperação não envolve apenas o usuário, mas exige mudanças em toda a dinâmica familiar.

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