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Está endividado? Novo Desenrola promete descontos de até 90%, parcelamento e renegociação pelo banco

Nova versão do programa federal prevê abatimentos de 30% a 90%, renegociação de até R$ 15 mil por instituição, inclusão de estudantes do Fies, uso limitado do FGTS e bloqueio de participantes em plataformas de apostas

O governo federal anunciou uma nova versão do programa de renegociação de dívidas bancárias. Chamado de Desenrola 2.0, o programa amplia descontos, inclui estudantes com dívidas do Fies, permite uso limitado do FGTS e cria restrições para participantes em plataformas de apostas. A medida foi anunciada nesta segunda-feira, 4, por meio de Medida Provisória.

Pelas regras informadas, os descontos podem variar de 30% a 90%, dependendo do tempo de atraso da dívida. O valor renegociado poderá chegar a R$ 15 mil por pessoa em cada instituição financeira. Dívidas atrasadas entre 90 e 120 dias terão abatimentos menores, de 30% a 40%. Já débitos vencidos há mais de um ano poderão alcançar desconto de até 90%.

O programa mantém foco em dívidas comuns do consumidor brasileiro, como cartão de crédito, cheque especial e Crédito Direto ao Consumidor, conhecido como CDC. Na prática, a nova rodada tenta atacar um problema que pesa no orçamento de milhões de famílias: a dívida pequena que cresce com juros, vira bola de neve e fecha portas no comércio, no banco e no mercado de trabalho.

Para participar, a dívida precisa ter sido acumulada até 31 de janeiro de 2026 e estar em atraso há pelo menos 90 dias. Os juros incidentes na renegociação terão taxa máxima de 1,99% ao mês, com prazo de pagamento de até 48 meses. A primeira parcela poderá ser paga em até 35 dias após o acordo.

O teto de renda para adesão ao Desenrola 2.0 foi fixado em cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. O interessado deve procurar as agências bancárias participantes e verificar se a dívida está disponível para renegociação com os descontos oferecidos.

Entre as instituições citadas como participantes estão Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual e C6 Bank. O consumidor deve confirmar diretamente nos canais oficiais do próprio banco antes de fechar qualquer acordo.

Uma das novidades de maior impacto é a inclusão de estudantes com dívidas do Fies. A regra prevê descontos escalonados conforme o tempo de atraso. Para atrasos de 90 dias, haverá desconto de 12% no valor principal e perdão total de juros e multas para pagamento à vista. Nos atrasos de 360 dias, inscritos no CadÚnico poderão ter abatimento de até 99% do valor total da dívida. Quem está apenas no Fies poderá ter desconto de até 77%.

A entrada do Fies no Desenrola 2.0 tem peso social. Muitos estudantes terminam a graduação já carregando uma dívida que trava o início da vida financeira. Em vez de começar a carreira construindo renda, parte desses jovens entra no mercado com o nome comprometido, dificuldade de crédito e medo de renegociar por não entender as regras.

O programa também prevê uso limitado do FGTS para renegociação. Segundo o texto divulgado, a utilização será restrita a 20% do saldo ou até R$ 1 mil. Esse ponto ainda depende de detalhamento sobre como o dinheiro será operacionalizado e repassado às instituições financeiras.

Outra mudança chama atenção: participantes do Desenrola 2.0 poderão enfrentar bloqueio de acesso a plataformas de apostas, as chamadas bets. A ideia, segundo a análise citada na reportagem, é evitar que pessoas renegociem dívidas e voltem rapidamente ao ciclo de endividamento por meio de jogos de aposta. A forma de implementação ainda depende de normatização.

Para microempreendedores individuais e pequenos negócios vinculados ao Simples Nacional, o programa também amplia oportunidades. O parcelamento de dívidas poderá chegar a 96 meses, prazo maior que o limite anterior de 72 meses, além de prever acesso a limites de crédito mais altos.

Apesar do potencial de alívio, o programa exige cautela. Renegociar não significa apagar o problema sem planejamento. Antes de aceitar uma proposta, o consumidor deve calcular se a parcela cabe no orçamento, comparar o desconto real, confirmar se a dívida será baixada dos cadastros de inadimplência e evitar assumir novo compromisso sem renda para pagar.

O alerta contra golpes é fundamental. O consumidor não deve clicar em links recebidos por SMS, WhatsApp ou mensagens prometendo desconto imediato. A orientação é procurar apenas os canais oficiais dos bancos, aplicativos conhecidos e agências autorizadas. Golpistas costumam usar programas de renegociação para roubar dados, cobrar falsas taxas e simular acordos inexistentes.

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