Após encontro com Marconi e Vilmar, Diony Nery deixa cargo na gestão de Aparecida

Ex-vereador e primeiro suplente do MDB foi exonerado da Secretaria Executiva de Esporte após participar de evento com Marconi Perillo, Professor Alcides e Vilmar Mariano, nomes ligados ao campo de oposição à atual gestão municipal
Jeová Lopes
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A política de Aparecida de Goiânia teve mais um capítulo de bastidor nesta terça-feira, 28 de abril de 2026. O secretário-executivo de Esporte da Prefeitura, Diony Nery, foi exonerado do cargo após participar de um evento ao lado de lideranças ligadas à oposição municipal, entre elas o ex-governador Marconi Perillo, o deputado federal Professor Alcides e o ex-prefeito Vilmar Mariano. A saída foi publicada no Diário Oficial Eletrônico.
A movimentação ganhou peso porque Diony, mesmo filiado ao MDB, apareceu publicamente ao lado de nomes que devem caminhar em direção oposta à atual administração nas eleições de outubro. Segundo a publicação original, ele também divulgou fotos ao lado de Marconi Perillo e Professor Alcides, sinalizando aproximação com o grupo tucano.
O gesto foi interpretado nos bastidores como um recado político. Em Aparecida, onde as alianças seguem em reorganização depois das eleições municipais, a presença de um integrante da gestão em agenda com adversários políticos dificilmente passaria despercebida. A exoneração, nesse contexto, revela que a disputa por espaço e lealdade já começou antes mesmo da campanha ganhar as ruas.
Diony Nery foi candidato a vereador em 2024, mas não conseguiu se eleger. Apesar disso, terminou a disputa como primeiro suplente do MDB, com 2.304 votos, mantendo capital político dentro do partido e presença no cenário local.
A situação também expõe uma fissura dentro do próprio campo partidário. Embora esteja no MDB, Diony mantém ligação política com Marconi Perillo e Professor Alcides. Essa ponte com lideranças de outro grupo passou a pesar ainda mais no momento em que Aparecida vive uma fase de rearranjo político e preparação para novas disputas eleitorais.
Outro ingrediente da crise foi a movimentação dentro da própria Secretaria de Esporte. Após a saída de Wesley Almeida, que pediu exoneração do comando da pasta, Diony era o segundo nome da estrutura, mas não foi cotado para assumir a secretaria. A decisão já indicava perda de força interna antes mesmo da exoneração ser oficializada.

O encontro que antecedeu a saída reuniu Marconi Perillo, pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas, Professor Alcides, pré-candidato à reeleição para deputado federal, e Vilmar Mariano, ex-prefeito de Aparecida. A presença de Vilmar no grupo aumenta o simbolismo político, já que ele representa uma ala de oposição à atual gestão municipal.
Na prática, a exoneração de Diony manda uma mensagem para dentro e fora da Prefeitura: quem ocupa espaço no governo precisa estar alinhado ao projeto político da administração. Em tempos de pré-campanha, cargos públicos também funcionam como termômetro de confiança, articulação e fidelidade.
A saída do secretário-executivo ainda pode provocar novos movimentos nos bastidores. Como primeiro suplente do MDB e figura conhecida no esporte e na política aparecidense, Diony não sai do jogo. Pelo contrário: sua exoneração pode reposicioná-lo de vez no campo de oposição, especialmente se a aproximação com Marconi, Alcides e Vilmar se confirmar nos próximos meses.
O episódio mostra que, em Aparecida, a eleição de outubro já começou antes do calendário oficial. Por enquanto, não foi um comício, uma pesquisa ou um discurso que mudou o tabuleiro. Foi uma foto.



