Mabel relata ameaças à família e diz que pressão explica dificuldades históricas na Comurg

Prefeito afirma que mudanças na companhia provocaram intimidações diretas envolvendo seus netos e cita resistência de grupos internos
Durante um pronunciamento divulgado nas redes sociais nesta sexta-feira (16), o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, relatou que ele e sua família foram alvo de ameaças em meio às mudanças promovidas na Companhia de Urbanização de Goiânia. Segundo o prefeito, as intimidações ocorreram em reação às decisões tomadas para reestruturar a empresa e atingiram diretamente seus familiares, incluindo os netos.
No vídeo, Mabel afirma que as ameaças chegaram a um nível pessoal e detalhado. De acordo com o prefeito, foi produzido um material contendo fotos, nomes e informações sobre a rotina das crianças. “Pra eu tomar essas decisões que eu tomei, eu tive a minha família duramente ameaçada. Fizeram um papel com o nome dos meus cinco netos, com fotografia, horários de entrada e saída da escola e até de atividades como futebol”, relatou.
O prefeito afirmou que as ameaças teriam partido de grupos que ele classificou como “tubarões” dentro da Comurg, em referência a pessoas que ocupavam posições estratégicas e, segundo ele, resistiam a mudanças internas. Para Mabel, esse cenário ajuda a explicar por que, ao longo dos anos, a companhia enfrentou dificuldades para passar por processos de saneamento administrativo. “Hoje eu entendo por que ninguém nunca botou a mão lá dentro. Ali todo mundo é ameaçado”, declarou.
Ainda no pronunciamento, Mabel citou um episódio envolvendo um profissional trazido de São Paulo para auxiliar na reestruturação da empresa. Segundo ele, o técnico teria deixado o cargo poucos dias depois de sofrer intimidações. “Em cinco dias, cortaram os pneus do carro dele e disseram que a próxima coisa que iam cortar era o pescoço dele. É um enfrentamento muito duro”, afirmou.
Apesar das denúncias, o prefeito fez questão de diferenciar a atuação da maioria dos servidores da companhia. Ele elogiou os funcionários que atuam diretamente nos serviços urbanos e reforçou que os problemas, segundo sua avaliação, estavam concentrados em cargos mais altos. “Os funcionários de rua são bons, trabalham com alegria. O problema estava nos peixões, nos tubarões, que afundaram a Comurg. Esses nós mandamos embora, mas isso exige muita coragem”, concluiu.



