
Advogado de confiança de Lula é cotado para comandar a pasta após saída de Lewandowski e pode ser anunciado ainda nesta semana
Nos bastidores do Palácio do Planalto, ganhou força na última segunda, dia 12, a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a escolha do advogado Wellington César Lima e Silva para o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O nome é tratado como favorito por aliados próximos e o anúncio oficial pode ocorrer nos próximos dias.
Atualmente à frente do departamento jurídico da Petrobras, cargo para o qual foi indicado pelo próprio presidente, Wellington César construiu uma relação de confiança com Lula ao longo dos últimos anos. Antes disso, ocupou a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência da República, função em que despachava quase diariamente com o chefe do Executivo, analisando atos presidenciais, indicações e questões administrativas estratégicas do governo.
A trajetória de Wellington César inclui passagens pelo Ministério Público da Bahia, onde atuou como promotor de Justiça e procurador-geral do Estado. Em 2016, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, chegou a ser nomeado ministro da Justiça, mas permaneceu no cargo por apenas 14 dias, após decisão do Supremo Tribunal Federal que entendeu ser incompatível a função ministerial com o vínculo ao Ministério Público à época.
Aliados avaliam que o perfil técnico e operacional do advogado pesa a favor da escolha, sobretudo em um ano pré-eleitoral, quando a pasta enfrenta desafios sensíveis ligados à segurança pública, ao sistema prisional e à articulação política no Congresso Nacional. O nome também é visto como capaz de dar andamento a projetos que ficaram pendentes na gestão anterior, como a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública.
Apesar do favoritismo, Lula ainda pretende ouvir ministros do STF e dirigentes partidários antes de bater o martelo. Uma ala do PT de São Paulo chegou a defender o nome do deputado federal Rui Falcão, mas a avaliação predominante no Planalto é de que Wellington César reúne maior capacidade técnica e trânsito institucional.
O cargo foi deixado por Ricardo Lewandowski, cuja exoneração foi publicada na última sexta, dia 9, encerrando uma gestão marcada por dificuldades políticas, limitações orçamentárias e sucessivos desgastes na área da segurança. Até a definição do novo titular, o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto segue no comando interino da pasta.



