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Tecnologia criada por brasileiro cruza 70 bases públicas e promete monitorar gastos de políticos em tempo real

Ferramenta desenvolvida por jovem programador usa inteligência artificial para identificar sinais de risco em contratos, emendas e vínculos empresariais

Um experimento ousado colocou a tecnologia no centro do debate sobre transparência pública neste final de semana. O desenvolvedor brasileiro Bruno César viralizou nas redes ao apresentar uma plataforma capaz de cruzar mais de 70 bases de dados abertas de órgãos oficiais, com a proposta de identificar possíveis conexões financeiras envolvendo agentes públicos.
A ferramenta integra informações de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sistema Único de Saúde (SUS), Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Banco Central do Brasil, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Juntas Comerciais estaduais, entre outras.


A partir do CPF de políticos, o sistema rastreia vínculos com familiares, empresas, prefeituras e contratos públicos, apontando o que o criador chama de “sinais de risco” — indícios que podem sugerir irregularidades. Utilizando inteligência artificial, a plataforma compara valores pagos pelo poder público com preços médios de mercado, identificando possíveis superfaturamentos ou movimentações fora do padrão estatístico.


Segundo o desenvolvedor, a tecnologia já detectou casos de possível autodirecionamento de emendas parlamentares e até indícios de funcionários fantasmas, tudo com base em análise automatizada de dados públicos. A proposta é transformar informações dispersas em alertas compreensíveis, acessíveis a jornalistas, organizações da sociedade civil e órgãos de controle.


O projeto surge em um contexto em que a fiscalização das contas públicas no Brasil ainda depende majoritariamente de processos manuais e auditorias posteriores. Automatizar esse monitoramento pode significar detectar inconsistências quase em tempo real, ampliando a pressão por transparência e responsabilidade administrativa.


Ciente das implicações legais e políticas da iniciativa, o desenvolvedor afirma que está passando o sistema por revisão jurídica antes de ampliar o acesso. Em tom bem-humorado, chegou a declarar nas redes que “ama muito a própria vida” e que “nunca cometeria suicídio”, reconhecendo a sensibilidade do tema.


Após os ajustes legais, a intenção é tornar o código open source. Enquanto isso, uma comunidade foi criada na rede X para reunir apoiadores interessados em colaborar com o avanço do projeto.

GED

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