Quem é Thialu Guiotti, o vereador que chegou à Presidência da Câmara de Goiânia
Vereador do Avante começou a circular pela Câmara ainda jovem, tornou-se empresário e dirigente partidário, conquistou dois mandatos e assumirá a Presidência em 2027 após uma disputa que terminou com chapa única e 37 votos
A história do homem que passará a ocupar a principal cadeira da Câmara Municipal de Goiânia começa, curiosamente, nos próprios corredores do Legislativo. Muito antes de ter mandato, Thialu Guiotti já havia passado pela Casa como estagiário e, segundo seu próprio relato, começou naquele ambiente ainda adolescente.
A unanimidade colocou no centro da política da capital um vereador que conhece a Câmara muito antes de conquistar um mandato. Thialu já passou pela Casa como estagiário, trabalhou como assessor parlamentar, presidiu partido, enfrentou derrota eleitoral, tornou-se empresário, chegou ao Legislativo pelo voto, assumiu funções internas e ampliou seu espaço até alcançar a Presidência.
A partir de 1º de janeiro de 2027, ele passará a ocupar um dos principais postos institucionais de Goiânia. Será responsável por conduzir os trabalhos da Câmara em um período no qual a relação entre Legislativo e Prefeitura, a formação de maiorias e a capacidade de manter o acordo entre diferentes partidos estarão permanentemente em teste.
Antes do mandato, os corredores da Câmara

Thialu Raphael Guiotti Lustosa nasceu em Goiânia em 25 de fevereiro de 1984 e começou a trabalhar formalmente aos 14 anos, em uma rede de supermercados. Ainda jovem, passou por instituições públicas, com experiências no Detran e na própria Câmara Municipal de Goiânia. Ao discursar depois de vencer a eleição da Mesa Diretora, relembrou que começou no Parlamento aos 16 anos e que, mais tarde, trabalhou como assessor do vereador Anselmo Pereira.
Aos 31 anos, administrava a Guiotti Comedoria, nas proximidades da Praça do Sol. O estabelecimento atendia pelo menos 300 refeições por dia e acumulava experiência em diferentes negócios. A gastronomia também aparece ligada à história familiar e relatou ter crescido acompanhando a mãe, Cinthia Guiotti, na administração de restaurantes e afirmou posteriormente ter criado o Guiotti Buffet, mantido por oito anos.
Esse passado ajuda a dar contexto a temas que surgiriam mais tarde em sua atuação parlamentar, como empreendedorismo, geração de emprego, bares, restaurantes e redução da burocracia que permitiu apontar uma continuidade de interesses; não autoriza afirmar que toda a sua agenda política nasceu dessa experiência empresarial.
Uma candidatura aos 22 anos
A primeira candidatura ocorreu em 2006, quando disputou uma vaga de deputado estadual pelo PL, e aos 22 anos, recebeu 1.000 votos e não foi eleito.
Em 2015, Thialu também atuou como secretário parlamentar na Assembleia Legislativa de Goiás, vinculado ao gabinete do então deputado Francisco de Oliveira. Dois anos depois, passou a aparecer em registros oficiais como secretário-executivo do Conselho de Excelência das Organizações Sociais em Saúde, função exercida em 2017 e 2018.
Essas passagens ajudam a mostrar que sua trajetória política não ficou restrita às disputas eleitorais: mesmo sem exercer mandato, ele continuou inserido em espaços ligados ao Legislativo e à administração pública, acumulando experiência antes de chegar à Câmara de Goiânia pelo voto.
Um passo importante nessa trajetória ocorreu em julho de 2019, quando Thialu assumiu a Presidência estadual do Avante em Goiás. A função ampliou sua atuação para além de uma candidatura pessoal e o colocou diretamente na organização política da legenda no Estado. À frente do partido, passou a participar da montagem de chapas, da estruturação de candidaturas e das articulações municipais, ganhando espaço em uma engrenagem partidária que, no ano seguinte, também serviria de base para sua primeira vitória nas urnas em Goiânia.
A primeira vitória
Na eleição municipal de 2020, Thialu recebeu 1.884 votos e conquistou sua primeira cadeira de vereador em Goiânia. Chegou ao mandato defendendo geração de emprego e renda, fiscalização dos recursos públicos, saúde, educação, cultura e defesa da família.
Também se declarou de linha conservadora, mas sustentou que divergências ideológicas não deveriam impedir a aprovação de propostas benéficas à população. Nos primeiros anos de mandato, integrou comissões ligadas a desenvolvimento econômico, transporte coletivo, saúde, assistência social, meio ambiente, habitação e urbanismo.
Em 2023, assumiu uma função de maior exposição ao ser escolhido relator da Comissão Especial de Inquérito que investigou a Companhia de Urbanização de Goiânia, a Comurg. A CEI funcionou por quase quatro meses e realizou dezenas de reuniões. O relatório apresentado ao final apontou problemas administrativos e produziu encaminhamentos, embora também tenha registrado limitações para individualizar determinadas responsabilidades.
Em abril de 2024, Thialu avançou mais um degrau na estrutura interna da Câmara ao ser eleito 1º vice-presidente da Casa. A disputa, que inicialmente tinha outros interessados, terminou em consenso após Pedro Azulão Jr. e Dr. Gian retirarem suas candidaturas. Com isso, Thialu recebeu os 27 votos dos vereadores presentes. A eleição, realizada durante a gestão de Romário Policarpo, funcionou como uma espécie de prévia do movimento que se repetiria em escala maior dois anos depois: uma disputa aberta que, após articulações e desistências, convergiu para um único nome. Em 2026, essa mesma lógica de construção de consenso o levaria não mais à vice-presidência, mas ao comando da Câmara.

Mais votos e mais espaço político
Ainda em 2024, Thialu voltou às urnas e garantiu o segundo mandato, recebendo 4.425 votos, em relação aos 1.884 votos de 2020, foram 2.541 votos a mais, crescimento de aproximadamente 134,9%.
O crescimento eleitoral ampliou sua base de votos, mas a chegada à Presidência da Câmara não pode ser explicada apenas pelo desempenho nas urnas. O caminho também passou pela presença em funções internas, pelo comando partidário e, principalmente, pela capacidade de formar maioria entre os próprios vereadores.
A ascensão dentro da Câmara ganhou seu capítulo decisivo em 2026. Na disputa pela sucessão de Romário Policarpo, Thialu passou a conversar individualmente com os vereadores e, dois dias antes da eleição, afirmava ter 29 votos declarados. Com a retirada de Ronilson da disputa, as negociações avançaram para uma composição única, que reuniu diferentes partidos e chegou ao plenário sem adversário.
A unanimidade explica a força política com que chega ao cargo, mas o tamanho dessa liderança será medido durante o mandato: na relação com a Prefeitura, na condução das votações, na preservação da autonomia da Câmara e, sobretudo, na capacidade de manter diálogo entre os mesmos grupos que se uniram para lhe entregar os 37 votos.



