Número de universitários dobra em 20 anos, mas desigualdades persistem
Relatório da UNESCO revela que o número de estudantes no ensino superior mais que dobrou nas últimas duas décadas, mas desigualdades regionais ainda são grandes.
O número de estudantes matriculados no ensino superior ao redor do mundo mais que dobrou nos últimos 20 anos, passando de aproximadamente 100 milhões em 2000 para 269 milhões em 2024. Esse dado faz parte do primeiro relatório global sobre tendências do ensino superior divulgado pela UNESCO, que destaca o crescimento expressivo, mas também as persistentes desigualdades no acesso à educação.
Atualmente, 43% da população mundial em idade universitária está matriculada em instituições de ensino superior. No entanto, essa expansão não foi uniforme entre os países e regiões, resultando em disparidades significativas. Enquanto 80% dos jovens na Europa Ocidental e América do Norte frequentam o ensino superior, essa taxa é de apenas 9% na África Subsaariana.
Expansão das instituições privadas
O relatório também aponta para o crescimento das instituições privadas, que hoje representam um terço das matrículas globais. Na América Latina e Caribe, quase metade dos estudantes estão em instituições privadas, com países como Brasil, Chile, Coreia do Sul e Japão tendo quatro em cada cinco universitários em instituições privadas.
Mobilidade estudantil e igualdade de gênero
Outro aspecto abordado é o aumento da mobilidade estudantil internacional, que triplicou de 2,1 milhões em 2000 para quase 7,3 milhões em 2023. No entanto, apenas 3% dos estudantes estudam fora de seus países de origem. Além disso, o relatório destaca avanços na igualdade de gênero, com 114 mulheres matriculadas para cada 100 homens, embora ainda haja sub-representação feminina em cargos de liderança acadêmica.
Desafios futuros
A UNESCO alerta que o crescimento acelerado do ensino superior pressiona os sistemas educacionais, especialmente em termos de qualidade, inclusão e financiamento. Com um investimento governamental médio de 0,8% do PIB global, o impacto das tecnologias digitais e da inteligência artificial nas universidades também é uma preocupação crescente.



