Jovem preso por matar o pai é solto após nova apuração em Goiânia

Investigação defensiva e reanálise da Polícia Civil apontaram que o rapaz não teve participação no crime ocorrido na noite de 31 de dezembro, em Goiânia
Após cerca de 10 dias preso, um jovem de 19 anos teve a prisão revogada e deixou a cadeia na tarde de sexta-feira (9), em Goiânia, depois que novas apurações levaram a Polícia Civil de Goiás a concluir que ele não participou da morte do próprio pai, inicialmente tratada como homicídio.
O rapaz, identificado como Victor Yan de Sousa Louredo, havia sido preso em flagrante na noite de 31 de dezembro, após o pai, Itamar Rodrigues Louredo, de 49 anos, morrer vítima de golpes de faca durante uma confusão familiar em uma residência no bairro Anhanguera, na capital.
Segundo a defesa, logo após a prisão foram iniciadas diligências independentes para reavaliar a dinâmica dos fatos apresentados no registro inicial da ocorrência. Os advogados Arthur Paulino e Danilo Vasconcelos afirmam que a chamada investigação defensiva reuniu novos elementos que mudaram completamente o entendimento do caso.
Com base nessas informações e em análises complementares realizadas pela Polícia Civil, o delegado responsável concluiu que Victor não teve qualquer envolvimento na morte do pai, o que levou à revisão da prisão em flagrante e à expedição do alvará de soltura, cumprido no fim da tarde de sexta-feira.
Minutos antes da virada do ano
O crime ocorreu por volta das 23h30, minutos antes do Ano-Novo. Na ocasião, a versão inicial apontava que o jovem teria tentado intervir em uma discussão entre os pais, que acabou evoluindo para agressões físicas e terminou com a morte de Itamar.
Com base nessas informações preliminares, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva durante audiência de custódia, e Victor passou a responder por homicídio enquanto as investigações avançavam.
Reviravolta no caso
Com o aprofundamento das apurações, novas circunstâncias passaram a ser consideradas pela Polícia Civil. A investigação agora busca esclarecer com precisão a dinâmica dos fatos, além de identificar eventuais responsabilidades pelo crime.
O caso segue em andamento, e a polícia trabalha para concluir o inquérito com base em provas técnicas, depoimentos e laudos periciais.
📌 CRIME ACONTECEU NA NOITE DE RÉVEILLON
- Data: 31 de dezembro de 2025
- Horário: por volta das 23h30
- Local: residência no bairro Anhanguera, em Goiânia (GO)
- Vítima: Itamar Rodrigues Louredo, de 49 anos
- Ocorrência: Itamar foi encontrado com ferimentos por faca no pescoço, em meio a uma confusão familiar.
🔍 REVIRAVOLTA NA INVESTIGAÇÃO
1. Investigação defensiva da defesa
Logo após a prisão, os advogados de Victor (Arthur Paulino e Danilo Vasconcelos) iniciaram diligências próprias — chamadas de investigação defensiva — para revisar a dinâmica dos fatos relatados inicialmente e confrontar as evidências.
2. Perícia preliminar reavaliada
Com a investigação defensiva e a perícia em andamento, a Polícia Civil passou a reexaminar os elementos técnicos do caso:
- O laudo preliminar da perícia descartou a participação de Victor no crime, apontando que ele não tinha lesões que indicassem envolvimento físico, não apresentava sangue no corpo e não havia sinais compatíveis com quem tivesse cometido o homicídio.
Essa reavaliação técnica foi fundamental para que a autoridade policial revogasse a prisão em flagrante e determinasse o alvará de soltura, cumprido em 9 de janeiro de 2026.
O delegado informou que, com base nessas novas evidências, não havia mais indícios de participação dele no crime, motivo pelo qual Victor foi colocado em liberdade sem quaisquer restrições relativas a essa acusação específica.
📊 E O CASO AGORA?
Mesmo com a libertação do jovem, o crime não está solucionado:
- A Polícia Civil mantém o inquérito aberto para investigar quem realmente cometeu o homicídio e em que circunstâncias;
- A linha de investigação segue considerando outras hipóteses que ainda não foram esclarecidas oficialmente;
- Laudos complementares como exames toxicológicos e outras análises periciais estão em desenvolvimento para ajudar a reconstituir a dinâmica do crime.
No Brasil, a investigação defensiva é um recurso que a defesa pode adotar paralelamente ao inquérito policial, uma vez que a lei permite que advogados coletarem provas e diligências que contribuam para o esclarecimento dos fatos.
É uma prática que, em casos como este, pode influenciar diretamente a análise da autoridade policial e da Justiça, sobretudo quando há contradições ou lacunas técnicas nos primeiros autos de flagrante.



