PolíticaNacional

Flávio Bolsonaro recicla estratégia do pai e aposta em redes sociais e pautas ideológicas

Pré-campanha ao Planalto tenta reproduzir modelo eleitoral de Jair Bolsonaro, mas enfrenta limites de alcance digital, maior fiscalização e rejeição elevada

Em meio às articulações iniciais para a disputa presidencial, movimentos recentes indicam que o senador Flávio Bolsonaro tenta reproduzir a fórmula eleitoral que levou seu pai ao Palácio do Planalto em 2018. A estratégia envolve reforço da presença nas redes sociais, mobilização de rua, retomada de símbolos conservadores e resgate de promessas feitas pelo ex-presidente que não chegaram a ser cumpridas.

A tática, tratada nos bastidores como uma atualização do “manual Bolsonaro”, busca corrigir falhas identificadas nas últimas campanhas, como problemas de coordenação, lacunas no discurso econômico e dificuldade de diálogo com o eleitorado do Nordeste. O plano inclui a intensificação de transmissões ao vivo e o estímulo à comunicação direta com apoiadores, em moldes semelhantes aos adotados por Jair Bolsonaro durante o mandato.

No último domingo, dia 1º, a movimentação ganhou contornos internacionais com a participação de Flávio em eventos no exterior, incluindo passagem por Israel e encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Aliados avaliam que a agenda reforça a identidade religiosa do pré-candidato e busca aproximação com o eleitorado evangélico. A coordenação política da pré-campanha envolve o senador Rogério Marinho, responsável por estruturar os próximos passos.

Apesar do esforço, entraves relevantes persistem. O alcance digital de Flávio é significativamente menor do que o do pai e de outros nomes do campo político nacional, além de haver maior controle da Justiça Eleitoral sobre conteúdos nas plataformas e discussão de regras específicas para o uso de inteligência artificial em 2026. Pesquisas recentes também indicam rejeição elevada ao senador, ainda acima de nomes vistos como alternativas competitivas à direita, como Tarcísio de Freitas.

A leitura entre aliados é que o desafio será ampliar o discurso para além da base bolsonarista e transformar o capital político herdado em uma candidatura nacional viável.

GED

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo