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EUA recuam em acusação de que Maduro liderava o Cartel de Los Soles

Nova denúncia do governo Trump mantém acusações por narcotráfico, mas abandona tese de liderança direta do suposto cartel venezuelano

Uma mudança relevante no discurso jurídico de Washington marcou os desdobramentos mais recentes do caso envolvendo o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos retirou da nova denúncia apresentada contra o líder venezuelano a acusação de que ele comandaria o chamado Cartel de Los Soles, tese que havia sustentado, desde 2020, parte central das acusações por narcotráfico feitas durante o primeiro mandato de Donald Trump.

Na denúncia original, apresentada há seis anos, o suposto cartel era citado de forma recorrente, com Maduro apontado como líder máximo da organização. Já no novo documento protocolado nesta semana, o termo aparece apenas de forma residual, sem qualquer menção direta à liderança do presidente venezuelano, o que indica uma inflexão significativa na estratégia jurídica do governo norte-americano.

Apesar da mudança, as autoridades dos Estados Unidos mantêm acusações graves contra Maduro, associando-o a um sistema de corrupção estrutural ligado ao tráfico internacional de drogas. A nova peça sustenta que o presidente venezuelano, assim como integrantes do alto escalão do Estado, teria protegido redes criminosas e se beneficiado financeiramente dessas atividades, mas sem caracterizar a existência formal de um cartel organizado nos moldes tradicionais.

Especialistas apontam que a alteração no texto reflete dificuldades em comprovar juridicamente a existência do Cartel de Los Soles como uma organização criminosa estruturada. O suposto grupo, embora citado por autoridades norte-americanas ao longo dos últimos anos, não aparece em relatórios oficiais do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, nem no relatório anual da Agência Antidrogas dos EUA referente a 2025.

Para analistas internacionais, o recuo fortalece a acusação ao concentrar o foco em condutas individualizadas, como corrupção, associação criminosa e tráfico de entorpecentes, evitando um conceito considerado frágil e de difícil sustentação jurídica. Também pesa, segundo especialistas, o receio de que a classificação ampla de um “narcoestado” possa justificar ações internacionais com efeitos severos sobre a população venezuelana.

Mesmo com a reformulação da denúncia, Washington segue atribuindo a Maduro vínculos com grupos armados colombianos e cartéis mexicanos, mantendo o enquadramento do presidente venezuelano como figura central em esquemas de narcotráfico internacional. Maduro, por sua vez, reafirmou à Justiça norte-americana que é inocente, classificou-se como prisioneiro de guerra e acusou os Estados Unidos de utilizarem o processo como instrumento político para justificar intervenção e pressão sobre as reservas de petróleo da Venezuela.

GED

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