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Covid-19 e superbactérias acendem alerta para risco de nova pandemia

Especialistas apontam que uso intensivo de antibióticos durante a crise sanitária pode acelerar resistência antimicrobiana em escala global

Os impactos da Covid-19 continuam sendo analisados por especialistas em saúde pública e agora incluem um alerta crescente sobre o avanço das chamadas superbactérias. Reportagem recente do El País reacendeu o debate ao apontar que a pandemia pode ter criado condições favoráveis para o surgimento e a disseminação de bactérias resistentes a antibióticos, fenômeno considerado uma das principais ameaças sanitárias das próximas décadas.

Desde 2020, hospitais e sistemas de saúde em todo o mundo operaram sob forte pressão, o que levou ao uso intensivo de antibióticos, especialmente em pacientes internados com infecções secundárias associadas à Covid-19. Embora o vírus não cause infecções bacterianas diretamente, o tratamento preventivo e, em muitos casos, indiscriminado desses medicamentos acabou favorecendo a seleção de microrganismos mais resistentes.

Especialistas explicam que, em ambientes hospitalares sobrecarregados, como unidades de terapia intensiva, bactérias oportunistas encontram condições ideais para se proliferar. Pacientes submetidos a longos períodos de internação, ventilação mecânica e múltiplos esquemas de antibióticos tornam-se mais vulneráveis a infecções difíceis de tratar. Com isso, cepas resistentes sobrevivem, se multiplicam e podem circular tanto dentro dos hospitais quanto na comunidade.

A resistência antimicrobiana já é monitorada há anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas a pandemia acelerou um processo que antes avançava de forma mais gradual. O receio é que bactérias comuns passem a causar doenças graves sem resposta aos tratamentos disponíveis, aumentando o risco de surtos amplos e difíceis de controlar.

Para evitar esse cenário, especialistas defendem mudanças urgentes nas práticas de saúde. Entre as principais medidas estão o uso criterioso de antibióticos, o reforço de protocolos de controle de infecções hospitalares, investimentos em pesquisa para o desenvolvimento de novos medicamentos e sistemas de vigilância capazes de identificar rapidamente bactérias resistentes.

O debate reforça uma das principais lições deixadas pela pandemia: a necessidade de preparação contínua. Sem antibióticos eficazes, procedimentos médicos básicos, cirurgias e tratamentos oncológicos se tornam mais arriscados. Por isso, o alerta atual amplia o conceito de pandemia, que passa a incluir não apenas novos vírus, mas também bactérias já conhecidas, porém cada vez mais resistentes.

GED

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