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Concorrência à vista promete baratear canetas emagrecedoras a partir de 2026

Decisão do STJ acelera disputa bilionária, amplia concorrência e promete mudar preços e acesso a tratamentos contra obesidade e diabetes no Brasil

O que até pouco tempo parecia um cenário distante passou a ganhar data e contornos concretos no mercado farmacêutico brasileiro. Com a negativa do Superior Tribunal de Justiça ao pedido da Novo Nordisk para estender a patente da semaglutida além de março de 2026, abriu-se oficialmente a porteira para uma nova fase de concorrência em um dos segmentos mais aquecidos da saúde nos últimos anos: o das chamadas canetas emagrecedoras.

A decisão mantém o prazo original de proteção da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Rybelsus, e afasta a possibilidade de exclusividade prolongada no Brasil. Na prática, isso significa que, a partir de 2026, outras farmacêuticas poderão produzir e comercializar versões genéricas ou similares do composto, desde que cumpram os requisitos regulatórios da Anvisa.

O impacto potencial é expressivo. O Brasil já aparece como o segundo país do mundo com maior volume de buscas por termos como Ozempic e Mounjaro no Google, reflexo da popularização desses medicamentos tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto no combate à obesidade. Estimativas de mercado apontam que o setor pode movimentar até R$ 10 bilhões por ano, impulsionado pela alta demanda e pela ampliação do público consumidor.

Com a entrada de novos fabricantes, a lógica econômica tende a se impor. Mais oferta costuma resultar em preços menores. Estudos e análises do setor indicam que, após a quebra da exclusividade, os valores das canetas à base de semaglutida podem cair entre 30% e 60% em um período de até dois anos. Hoje, uma caneta de 1 mg do Ozempic pode custar cerca de R$ 1.300, valor que ainda restringe o acesso de grande parte da população ao tratamento.

De olho nesse novo cenário, grandes laboratórios nacionais já se movimentam. Empresas como EMS, Hypera, Cimed, Eurofarma e Prati-Donaduzzi sinalizam interesse em lançar suas próprias versões a partir de 2026, apostando tanto no volume de vendas quanto na consolidação de marcas em um segmento em franca expansão. A corrida envolve investimentos em pesquisa, adequação industrial e processos regulatórios, mas promete transformar o mapa da indústria farmacêutica no país.

O efeito da maior concorrência vai além do bolso do consumidor. Especialistas avaliam que a redução de preços pode facilitar discussões futuras sobre a incorporação desses medicamentos no Sistema Único de Saúde, ampliando o alcance de terapias consideradas inovadoras. A obesidade atinge mais de 40 milhões de brasileiros e está associada a uma série de doenças crônicas, o que reforça o peso social do debate.

Considerada revolucionária por sua eficácia clínica, a semaglutida mudou a forma como médicos e pacientes encaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Agora, com o fim da exclusividade se aproximando, o desafio passa a ser equilibrar inovação, concorrência e acesso. Para o mercado, tudo indica crescimento. Para os consumidores, a expectativa é de mais opções e preços menos proibitivos.

GED

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