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Caso Master: investigações avançam, ativos entram em disputa judicial e documentos ampliam apurações

Processo envolve Banco Central, STF, TCU e Polícia Federal; apurações seguem sem conclusões definitivas

As investigações em torno do Banco Master seguem em múltiplas frentes e ganharam novos desdobramentos nas últimas semanas, envolvendo decisões administrativas, questionamentos judiciais e a análise de documentos que ampliaram o escopo das apurações. O caso, que levou à liquidação extrajudicial da instituição no fim de 2025, é tratado por autoridades como sensível por seus possíveis impactos sobre o sistema financeiro e investidores.

Liquidação e atuação do Banco Central

A liquidação foi decretada pelo Banco Central do Brasil, após fiscalizações apontarem problemas de liquidez, inconsistências contábeis e riscos à continuidade operacional. Com a medida, operações foram suspensas e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passou a atuar para assegurar valores dentro dos limites legais aos investidores elegíveis.

Desde então, a legalidade e a condução da liquidação passaram a ser analisadas em outras instâncias, diante de pedidos de acesso a documentos e de preservação do patrimônio da massa liquidanda.

STF e TCU entram no caso

O Supremo Tribunal Federal determinou diligências e a coleta de informações para avaliar aspectos do processo, incluindo oitivas e a análise de atos administrativos relacionados à decisão do Banco Central. As medidas visam esclarecer responsabilidades e verificar a regularidade dos procedimentos adotados.

Paralelamente, o Tribunal de Contas da União passou a examinar o caso sob a ótica do controle externo. Entre os pontos discutidos está a eventual restrição à venda de ativos durante a liquidação, para evitar a dilapidação patrimonial antes da conclusão das análises. Integrantes do TCU ressaltaram que qualquer reversão da liquidação depende de decisão do STF.

Investigações criminais e fundos sob análise

No campo penal, a Polícia Federal e o Ministério Público apuram suspeitas de gestão temerária e possíveis irregularidades financeiras, incluindo a relação entre o banco e fundos de investimento que teriam participado de estruturas complexas de ativos. As autoridades investigam se esses mecanismos foram utilizados para mascarar riscos ou ampliar artificialmente valores, hipótese que ainda está sob verificação.

Documentos citam vínculos societários indiretos

Reportagens recentes informaram que documentos analisados por investigadores indicariam que um fundo de investimento relacionado ao caso teria figurado como sócio em negócios envolvendo parentes de um ministro. As informações constariam de registros societários e contratos examinados no âmbito das apurações.

Até o momento, não há conclusão oficial que estabeleça irregularidade ou responsabilidade, e as investigações seguem em curso. A gestora do fundo e o banco citado não se manifestaram sobre o conteúdo dos documentos até a publicação das reportagens. Especialistas ressaltam que a existência de vínculos societários, por si só, não configura ilegalidade, sendo necessária a análise do contexto, da legalidade das operações e de eventual conflito de interesses.

Impactos e próximos passos

O Caso Master permanece em estágio de apuração avançada, com reflexos administrativos, judiciais e criminais. As próximas decisões do STF devem esclarecer:

  • a manutenção ou não da liquidação extrajudicial;
  • as regras para a alienação de ativos;
  • a responsabilização de gestores, se comprovadas irregularidades;
  • os efeitos finais para investidores e para o FGC.

Enquanto isso, autoridades reforçam que não há conclusões definitivas e que o processo segue sob o princípio do contraditório e da ampla defesa. O desfecho dependerá do resultado das diligências em andamento e das decisões das cortes competentes.

GED

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