Economia & Negócios

Caiado conduz negociações com o Japão para exploração de terras raras em Goiás após sanções da China

Governador afirma que acordos só avançam se houver transferência de tecnologia e etapas industriais de maior valor agregado no Estado

O avanço das restrições impostas pela China ao comércio internacional de terras raras abriu uma nova frente de articulação econômica e geopolítica envolvendo Goiás. Diante desse cenário, o governador Ronaldo Caiado tem liderado negociações com o Japão para viabilizar parcerias na exploração desses minerais estratégicos em território goiano, com foco em tecnologia, industrialização e fortalecimento da cadeia produtiva local.

O diálogo entre Goiás e representantes japoneses teve início ainda no primeiro semestre de 2025, durante missão internacional liderada por Caiado ao Japão. Desde então, reuniões técnicas e institucionais vêm sendo realizadas para discutir a possibilidade de um termo de cooperação voltado à exploração de terras raras no Estado, especialmente após as sanções impostas pela China, maior produtora mundial desses elementos.

Em um dos encontros, Caiado se reuniu com o ex-embaixador do Japão no Brasil, Teiji Hayashi, ocasião em que reforçou a posição do governo goiano de que qualquer acordo precisa ir além da simples extração do minério. Segundo o governador, a prioridade é garantir a transferência de tecnologia e o avanço para etapas mais complexas da cadeia produtiva, como separação e refino dos metais.

Em declaração feita no segundo semestre de 2025, Caiado destacou que Goiás busca a tecnologia japonesa e a criação de um fundo de pesquisa mineral, com o objetivo de internalizar todas as etapas do processo produtivo das terras raras. Ele também afirmou que o governo estadual tem capacidade de autorizar, em até três meses, pesquisas e a instalação de novos projetos no setor.

Atualmente, Goiás concentra as principais operações de terras raras do país, com destaque para a mineradora Serra Verde, em Minaçu, e a Aclara, em Nova Roma. Ambas firmaram recentemente acordos de financiamento com o banco estatal dos Estados Unidos, o DFC, que somam mais de US$ 470 milhões destinados à ampliação da produção e a estudos de viabilidade. A iniciativa faz parte da estratégia norte-americana de reduzir a dependência da China, que domina cerca de 60% da extração mundial e quase 90% da capacidade de refino.

Consideradas essenciais para a transição energética e para a indústria de defesa, as terras raras colocam Goiás no centro de uma disputa estratégica global, com potencial de reposicionar o Estado no mapa da mineração de alto valor agregado.

GED

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