Mudanças em Aparecida, números da gestão Mabel, revezamento no Governo de Goiás e os reflexos da eleição presidencial movimentam a nova edição da coluna
Por Jodeir Comunicações

As urnas encerraram a disputa de 2026, mas o resultado abriu imediatamente uma nova etapa na política. Em Goiás, os primeiros movimentos já aparecem nas câmaras municipais, no Palácio das Esmeraldas e na reorganização das forças que estiveram em lados diferentes durante a eleição presidencial.
Cortez muda rota em Aparecida

Felipe Cortez deixou a oposição ao prefeito Leandro Vilela em Aparecida. O vereador, que vinha fazendo críticas à administração, afirmou que passará a atuar de maneira independente e reconheceu avanços da gestão, especialmente nas obras.
A mudança ocorre depois das eleições e modifica a configuração política da Câmara. Cortez também passou a contribuir para destravar matérias encaminhadas pelo Executivo, abrindo uma nova fase na relação entre o parlamentar e a administração municipal.
Mabel apresenta números de Goiânia

Na capital, Sandro Mabel chega à prestação de contas na Câmara Municipal com números que alimentam o debate sobre a segunda metade do mandato.
De janeiro a agosto, a Prefeitura de Goiânia arrecadou R$ 7,27 bilhões e liquidou R$ 6,88 bilhões em despesas. Os investimentos em infraestrutura e melhorias urbanas chegaram a R$ 663,3 milhões, crescimento de 301,62% em comparação com o mesmo período de 2025.
Um dos pontos que também entram no debate é a Educação. No período apresentado, a aplicação acumulada estava em 21,88%. O município precisa alcançar o mínimo constitucional de 25% ao fim do exercício.
Goiás terá revezamento no comando
A viagem de Daniel Vilela ao exterior provocará uma situação pouco comum no comando do Estado. Bruno Peixoto assume interinamente o Governo de Goiás a partir de 29 de outubro e permanece cinco dias no cargo.
Depois, diante da viagem também prevista do presidente da Assembleia Legislativa, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Leandro Crispim, deverá assumir o Executivo. O revezamento ocorre porque Goiás está sem vice governador desde que Daniel Vilela assumiu definitivamente o Palácio das Esmeraldas.
Daniel reconhece vitória de Lula

Passada a eleição presidencial, Daniel Vilela reconheceu a vitória de Lula e afirmou que a vontade manifestada nas urnas deve ser respeitada.
Mesmo depois de apoiar Ronaldo Caiado no primeiro turno e Flávio Bolsonaro no segundo, o governador afirmou que não pretende estabelecer uma oposição sistemática ao Governo Federal. A sinalização é de diálogo sempre que os interesses de Goiás dependerem da União.
Daniel também cobrou mudanças nas áreas econômica e fiscal e defendeu uma relação institucional entre Brasília e os estados sem retaliações partidárias.
Caiado também reconhece resultado

Ronaldo Caiado adotou posição semelhante ao reconhecer o resultado presidencial e afirmar que a decisão da maioria deve ser respeitada.
Depois de apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno, o ex governador defendeu responsabilidade fiscal, combate ao crime organizado e manutenção de uma relação institucional entre União e estados.
Caiado, entretanto, manteve suas críticas à forma como ocorreu a prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin.
De rivais a aliados no segundo turno
A aproximação entre Caiado e Flávio Bolsonaro foi uma das mudanças políticas mais marcantes ocorridas entre os dois turnos.
Durante a primeira etapa da campanha, Caiado fez críticas ao então adversário. Depois de deixar a disputa presidencial com 2,18% dos votos válidos, recebeu Flávio em Goiânia dois dias após a votação e declarou apoio ao candidato do PL.
Na ocasião, afirmou que as diferenças existentes entre ambos eram menores diante das posições políticas que compartilhavam.
O episódio mostrou como o segundo turno reorganizou rapidamente alianças construídas durante uma campanha marcada por forte disputa dentro do próprio campo da direita.
Goiás votou diferente do Brasil


O resultado das urnas confirmou mais uma diferença entre o comportamento eleitoral de Goiás e o resultado nacional. Flávio Bolsonaro terminou o segundo turno com 59,66% dos votos válidos no Estado, contra 40,34% de Lula, que venceu nacionalmente. Foram 2.345.334 votos para Flávio e 1.585.555 para Lula em território goiano.
Há, porém, outro dado importante. Os dois candidatos cresceram em números absolutos entre os turnos, mas Lula acrescentou aproximadamente 396 mil votos, enquanto Flávio conquistou cerca de 293 mil votos adicionais. Ou seja, Goiás permaneceu majoritariamente alinhado ao candidato do PL, mas a votação do presidente também avançou no Estado durante as semanas finais da campanha.
Virada histórica no Tocantins

O resultado do Tocantins oferece outro retrato de como três semanas podem modificar uma eleição.
Professora Dorinha havia vencido o primeiro turno com 45,52% dos votos válidos, contra 43,94% de Vicentinho Júnior. No segundo turno, o quadro se inverteu de maneira expressiva.
Vicentinho incorporou apoios importantes, entre eles o do vice governador Laurez Moreira, terceiro colocado na primeira votação, além de Du Pereira, Eli Borges e diferentes lideranças municipais.
Nas urnas, Vicentinho terminou eleito com 64,52% dos votos válidos, contra 35,48% de Dorinha.
Mais do que uma simples transferência matemática de votos, o resultado mostrou como novas alianças, adesões municipais e mobilização política podem alterar profundamente uma disputa entre o primeiro e o segundo turno.
Mercado reagiu durante a apuração
A disputa presidencial também produziu reflexos fora da política partidária.
Ainda durante a apuração, contratos futuros do real negociados em Chicago registraram queda em meio à indefinição sobre o resultado. Analistas relacionaram parte do movimento às preocupações dos investidores com a trajetória fiscal em um novo mandato de Lula.
É importante, entretanto, separar aquela reação imediata de uma tendência consolidada. A movimentação ocorreu no mercado futuro, em um domingo e enquanto os votos ainda eram contabilizados.
O comportamento dos ativos nos dias seguintes é que permitirá uma leitura mais ampla sobre como investidores assimilaram o resultado eleitoral.
Prorrogação ainda provoca questionamentos
Outro assunto que permanece no debate depois das urnas é a decisão de prorrogar a votação até as 19 horas.
Eleita para o Senado, Gracinha Caiado cobrou explicações sobre a medida e questionou principalmente o momento em que a determinação foi tomada e se houve consulta prévia ao Tribunal Superior Eleitoral.
A extensão do horário havia sido determinada pelo ministro Cristiano Zanin diante de reclamações relacionadas ao transporte de eleitores. Em Goiás, o Tribunal Regional Eleitoral avaliou que o impacto da medida seria limitado.
Jornalistas denunciam agressões no Pará
A coluna também chama atenção para um episódio envolvendo a liberdade de imprensa.
Dois jornalistas denunciaram agressões enquanto apuravam reclamações relacionadas à gratuidade de passagens para eleitores em Belém, no Pará.
Os profissionais afirmam que foram atacados durante uma reportagem realizada em um terminal portuário. A empresa responsável pelo local apresentou versão diferente e alegou que houve tentativa de acesso a uma área restrita.
O episódio foi registrado na Polícia Civil e provocou manifestações de entidades representativas do jornalismo, que cobraram investigação das circunstâncias.
O pós eleição já começou
O conjunto dos acontecimentos mostra que o fechamento das urnas não encerra o movimento político. Ele apenas muda sua natureza.
Em Aparecida, vereadores reposicionam relações com o Executivo. Em Goiânia, os números da administração passam pelo escrutínio da Câmara. No Governo de Goiás, um revezamento institucional coloca diferentes Poderes temporariamente no comando do Estado.
Ao mesmo tempo, Daniel Vilela e Ronaldo Caiado começam a definir a relação que manterão com o novo mandato de Lula, enquanto o resultado das urnas revela um Goiás politicamente diferente do mapa nacional.





