Centro-Oeste dá maioria a Flávio Bolsonaro, apesar da reeleição de Lula

Candidato do PL liderou nos quatro recortes regionais; Mato Grosso apresentou a maior vantagem, enquanto Distrito Federal teve a disputa menos distante
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não se repetiu no Centro-Oeste. Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal deram maioria a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e formaram um bloco eleitoral distinto do resultado nacional.
A leitura regional, porém, revela um movimento menos uniforme do que a simples divisão entre vencedor e derrotado. Lula ampliou sua participação nos votos válidos mais do que Flávio nos quatro territórios entre o primeiro e o segundo turnos. O crescimento, contudo, não foi suficiente para reverter a vantagem construída pelo candidato do PL na região.

Mato Grosso lidera vantagem
Mato Grosso apresentou a maior diferença. Com 96,84% das seções totalizadas no recorte consultado, Flávio tinha 66,09% dos votos válidos, contra 33,91% de Lula, vantagem superior a 32 pontos percentuais. No primeiro turno, o placar havia sido 65,15% a 29,18%.
Isso significa que Lula avançou aproximadamente 4,7 pontos percentuais entre as duas etapas, enquanto Flávio cresceu menos de um ponto. A distância permaneceu ampla porque o candidato do PL já havia entrado no segundo turno com quase dois terços dos votos mato-grossenses.
Recuperação petista em Goiás
Em Goiás, o cenário foi semelhante, mas com recuperação petista mais intensa. Às 21h01, com 98,11% das seções totalizadas, Flávio registrava 59,71%, contra 40,29% de Lula. No primeiro turno, os percentuais foram de 53,60% para Flávio e 31,06% para Lula.
Lula, portanto, acrescentava pouco mais de nove pontos percentuais à sua participação, enquanto Flávio avançava pouco mais de seis. Mesmo assim, a diferença ainda era próxima de 19,5 pontos percentuais.
O resultado goiano também precisa ser observado à luz do primeiro turno. Ronaldo Caiado obteve 12,33% dos votos no estado antes de declarar apoio a Flávio Bolsonaro. Os números finais não permitem concluir individualmente para onde migraram os votos do ex-governador: a comparação de resultados mostra movimentos agregados, não transferência identificada de cada eleitor.
Mato Grosso do Sul e Distrito Federal
Em Mato Grosso do Sul, Flávio aparecia com 59,59% e Lula com 40,41%, com 99,62% das seções totalizadas. No primeiro turno, haviam registrado 58,60% e 34,68%, respectivamente. Lula cresceu cerca de 5,7 pontos; Flávio, aproximadamente um ponto.
O Distrito Federal apresentou a menor distância do Centro-Oeste. Com 98,11% das seções totalizadas, Flávio tinha 54,30% e Lula 45,70%. Três semanas antes, o candidato do PL obtivera 51,31%, e o presidente, 38,11%.
Nesse caso, o crescimento de Lula foi de cerca de 7,6 pontos percentuais, contra aproximadamente três pontos de Flávio. Mesmo com a aproximação, o candidato do PL manteve a liderança no Distrito Federal.
Continuidade e mudança
O padrão regional chama atenção porque ocorre numa eleição nacional definida por margem relativamente apertada. Lula conseguiu recuperar a desvantagem do primeiro turno e garantir a reeleição, mas o Centro-Oeste permaneceu integralmente no campo eleitoral de Flávio Bolsonaro.
A região já havia dado sinais claros dessa preferência na primeira votação. Flávio terminou à frente em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Entre os quatro, Mato Grosso apresentou a maior concentração de votos no candidato do PL, enquanto o Distrito Federal foi o território em que Lula mais se aproximou.
Ao mesmo tempo, o avanço do presidente no segundo turno mostra que a região não ficou eleitoralmente imóvel. Em todos os quatro recortes, Lula capturou uma parcela maior do espaço deixado pelos candidatos eliminados ou pelo aumento de comparecimento do que sua votação inicial indicava. Isso não permite determinar quais grupos migraram para cada candidato, mas mostra que o segundo turno estreitou a diferença relativa em parte da região.
Goiás oferece um exemplo claro. Lula saiu de 31,06% para cerca de 40,3%, enquanto Flávio passou de 53,60% para aproximadamente 59,7%. O candidato do PL ampliou sua maioria absoluta, mas o presidente também avançou de forma relevante em um dos estados onde enfrentava maior desvantagem.
A fotografia final do Centro-Oeste, portanto, combina continuidade e mudança. A continuidade está na vitória de Flávio nos quatro territórios. A mudança aparece no crescimento de Lula, que aumentou seu peso eleitoral regional sem conseguir alterar quem terminou na primeira posição.
O resultado deixa para os próximos anos uma região politicamente importante para a oposição ao presidente reeleito, mas que também apresenta bolsões e movimentos de recuperação do PT. O próximo passo para compreender essa dinâmica será descer do nível estadual para os municípios e identificar onde Lula mais cresceu, onde Flávio ampliou vantagem e quais cidades efetivamente trocaram de vencedor entre os dois turnos.



