Afastamentos por burnout disparam no Brasil e pressionam gastos da Previdência Social

Número de auxílios por esgotamento no trabalho cresce quase 500% em quatro anos e acende alerta sobre saúde mental no mercado de trabalho
O avanço dos afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho tem provocado impacto direto nas contas da Previdência Social e levantado um alerta sobre as condições do mercado de trabalho no país. Dados oficiais mostram que os benefícios concedidos por síndrome de burnout cresceram de forma acelerada nos últimos anos, refletindo mudanças estruturais na forma de trabalhar e no ambiente profissional.
Entre 2021 e 2024, os auxílios-doença concedidos por esgotamento profissional aumentaram 493%, saltando de 823 para 4.880 registros. Apenas nos seis primeiros meses de 2025, já foram contabilizados 3.494 afastamentos, número equivalente a mais de 70% do total do ano anterior. Especialistas avaliam que os dados podem estar subnotificados, já que o burnout nem sempre é corretamente diagnosticado e trabalhadores informais ficam fora das estatísticas.
Em 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social concedeu 472,3 mil auxílios relacionados à saúde mental, incluindo quadros de depressão, ansiedade e outras síndromes, de um total de 3,6 milhões de afastamentos. No primeiro semestre de 2025, os transtornos mentais já responderam por um em cada sete afastamentos concedidos, aproximando-se dos índices de doenças musculares e ósseas, tradicionalmente líderes no sistema previdenciário.
O impacto financeiro acompanha essa escalada. As despesas com auxílios por incapacidade cresceram mais rapidamente que outros benefícios e passaram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024. No mesmo período, os gastos totais da Previdência subiram de R$ 734,3 bilhões para R$ 876,9 bilhões.
O governo acompanha o fenômeno desde o período pós-pandemia, quando fatores como ampliação do home office, maior tempo de conexão, pressão por metas e precarização das relações de trabalho intensificaram o adoecimento mental. A partir de maio de 2026, empresas que não mapearem riscos psicossociais poderão ser multadas, medida que busca conter o avanço do problema.
Especialistas alertam que o impacto do burnout vai além das contas públicas, atingindo a produtividade, a estabilidade financeira dos trabalhadores e a qualidade de vida da população economicamente ativa.



