Saúde

Café e sono: revisão científica aponta que não há horário-limite universal

Revisão de 32 estudos revela que a resposta à cafeína no sono varia com fatores individuais e não há regra única para o horário de consumo.

Uma revisão científica envolvendo 32 estudos revelou que não existe um horário-limite universal para o consumo de café sem prejudicar o sono. A pesquisa analisou a relação entre a cafeína e a atividade cerebral durante o sono, destacando que a resposta à substância varia significativamente entre indivíduos.

Impacto da cafeína no sono

De acordo com os estudos, a cafeína pode alterar a atividade cerebral mesmo após a pessoa adormecer, reduzindo a atividade elétrica associada ao sono profundo. Isso significa que mesmo dormindo o número habitual de horas, a qualidade do sono pode ser comprometida.

Recomendações e variáveis

Especialistas sugerem evitar o consumo de cafeína nas seis a oito horas antes de dormir, mas essa orientação não garante que o sono não será afetado. A meia-vida da cafeína, que é o tempo necessário para reduzir sua concentração no organismo pela metade, varia de seis a oito horas, influenciando o impacto no sono.

Letícia Soster, neurologista pediátrica, ressalta que o consumo pela manhã tende a ter menos efeito sobre o sono profundo da noite, embora existam diferenças individuais. A sensibilidade à cafeína pode ser influenciada por fatores como genética, idade, metabolismo e hábitos de consumo.

Alterações cerebrais

A revisão mostrou que a cafeína pode reduzir a atividade de ondas lentas durante o sono NREM, essenciais para a profundidade do sono. Isso sugere um sono menos profundo e possivelmente menos restaurador. Mesmo assim, a percepção da qualidade do sono é subjetiva, variando de pessoa para pessoa.

Consumo habitual e tolerância

Pessoas que consomem café regularmente podem desenvolver tolerância a seus efeitos, não percebendo dificuldades para dormir. No entanto, alterações na atividade elétrica cerebral podem persistir, afetando a qualidade do sono de forma sutil.

Conclusão

A duração do sono não é o único indicador de sua qualidade. As mudanças causadas pela cafeína podem se manifestar como sensação de sono não reparador e sonolência diurna, mas a percepção individual pode variar. Enquanto alguns sentem os efeitos, outros podem não perceber prejuízos aparentes.

GED

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