Lula é reeleito, mas PL domina o Congresso a partir de 2027
PL terá 121 deputados e 28 senadores a partir de 2027; presidente reeleito dependerá de acordos com partidos fora de sua base para aprovar projetos, orçamento e indicações.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu ao presidente mais quatro anos no Palácio do Planalto, mas as urnas deixaram um segundo resultado que deverá pesar diretamente sobre o próximo mandato: o Congresso que toma posse em fevereiro de 2027 terá o PL como maior partido tanto na Câmara quanto no Senado.
Nova configuração política
A nova configuração não impede o governo de construir maioria, mas aumenta a necessidade de negociação com partidos que não integram o núcleo político do Planalto. Na Câmara dos Deputados, o PL elegeu 121 parlamentares, 24 a mais do que em 2022, e tornou-se a maior bancada da Casa. A federação formada por PT, PCdoB e PV ficou em segundo lugar, com 88 deputados.
União Brasil e PP, que disputaram a eleição em federação, elegeram 87 deputados. O PSD terá 43; o Republicanos, 41; o MDB, 36; e o Podemos, 27. O resultado cria uma Câmara fragmentada, na qual o governo não terá condições de aprovar sozinho projetos relevantes e continuará dependendo de alianças construídas votação por votação.
Desafios no Senado
No Senado, o cenário também mudou. O PL elegeu 19 senadores em outubro e deverá iniciar 2027 com 28 integrantes, a maior bancada partidária da Casa e uma das maiores registradas desde a redemocratização. O PT terá nove senadores. O MDB, oito. A composição definitiva ainda pode sofrer pequenos ajustes por causa da convocação de suplentes de senadores eleitos para governos estaduais.
O peso do Senado é particularmente importante para o novo mandato. Além da votação de projetos e propostas de emenda à Constituição, cabe à Casa analisar indicações presidenciais para postos como Supremo Tribunal Federal, Banco Central, agências reguladoras e outras instituições. Nos últimos anos, o Congresso também ampliou sua influência sobre o orçamento e sobre a liberação de recursos federais.
Negociações e alianças
A vitória de Lula, portanto, não produz automaticamente uma maioria parlamentar alinhada ao Executivo. O presidente começará o novo mandato diante de um Legislativo no qual o partido de seu adversário presidencial saiu fortalecido e legendas de centro continuarão ocupando posição decisiva.
Essa realidade torna partidos como PSD, MDB, União Brasil, PP e Republicanos especialmente relevantes. Embora tenham posições distintas e disputas internas próprias, essas siglas podem fornecer votos tanto ao governo quanto à oposição, dependendo do projeto em discussão.
A relação entre Planalto e Congresso também começará sob um sinal institucional importante. No domingo da eleição, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, estiveram na sede do Tribunal Superior Eleitoral. Alcolumbre afirmou que o país esperava o reconhecimento do resultado das urnas e a pacificação institucional. Motta destacou a confiança no sistema eleitoral.
As manifestações, porém, dizem respeito ao reconhecimento do processo eleitoral e não representam adesão à agenda do governo. A disputa sobre orçamento, impostos, gastos públicos, indicações, políticas sociais e projetos econômicos será travada a partir da nova composição parlamentar.
Lula terá ainda de administrar uma peculiaridade do resultado de 2026: venceu a eleição presidencial enquanto o PL aumentou sua representação legislativa. Na Câmara, a legenda de Flávio Bolsonaro passou de 97 deputados eleitos em 2022 para 121 neste ano. A federação liderada pelo PT também cresceu, mas em ritmo menor, de 82 para 88 cadeiras.
O Senado apresenta movimento semelhante. O PL passará de 15 para 28 senadores, enquanto o PT permanecerá com nove. O partido de Flávio Bolsonaro, portanto, terá capacidade relevante de organização da oposição e participação em comissões, relatorias e votações estratégicas.
O desenho das urnas coloca a negociação política no centro do próximo mandato. O eleitorado reconduziu Lula à Presidência, mas não entregou ao presidente um Congresso sob controle de seu campo político. A partir de fevereiro, a sustentação do governo dependerá novamente da capacidade do Planalto de formar maiorias entre partidos que atravessam diferentes posições do espectro político e que chegam a 2027 com força própria para cobrar espaço, recursos e participação nas decisões.


