Comércio ilegal de medicamentos online desafia fiscalização em Goiás
Especialistas alertam sobre a falta de regulamentação específica e os perigos da compra de medicamentos online, destacando a necessidade de maior fiscalização.
O comércio ilegal de medicamentos pela internet tem se tornado uma preocupação crescente em Goiás, assim como em todo o Brasil. Durante o talk “Produtos de saúde em plataformas digitais: quem protege o consumidor?”, promovido pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), especialistas discutiram os riscos e a falta de regulamentação específica para o setor.
Plataformas digitais e a propagação de medicamentos ilegais
Um dos principais pontos levantados no encontro foi o papel das plataformas digitais na disseminação de anúncios de medicamentos falsificados e ilegais. Ivo Bucaresky, ex-diretor da Anvisa, destacou que essas plataformas facilitam a venda de produtos sem procedência, muitas vezes sem responsabilização dos envolvidos.
Para Bucaresky, a venda de medicamentos deve ocorrer exclusivamente por meio de farmácias e drogarias autorizadas, que garantem a qualidade e segurança dos produtos. Ele recomenda que os consumidores consultem o site da Anvisa para verificar a regularidade dos medicamentos antes da compra.
Desafios regulatórios e conscientização
Fernando Aith, professor da USP, apontou que a legislação brasileira ainda é baseada em normas antigas, da década de 1970, inadequadas para o ambiente digital atual. Ele defende a criação de uma regulamentação específica para o comércio eletrônico de medicamentos, a fim de proteger os consumidores.
Drauzio Varella, médico oncologista, destacou a importância de conscientizar a população sobre os riscos da compra de medicamentos pela internet, que muitas vezes são fabricados em condições precárias e sem controle sanitário.
Responsabilização e cidadania digital
Os especialistas também discutiram a necessidade de responsabilizar todos os integrantes da cadeia de consumo, incluindo plataformas digitais, por danos ao consumidor. Aith sugere que as plataformas devem verificar se os parceiros possuem licenças sanitárias válidas e se os medicamentos são armazenados adequadamente.
Além disso, foi ressaltada a importância da formação de cidadania digital para preparar os consumidores a identificar riscos online e proteger seus dados pessoais. A atuação integrada entre órgãos de vigilância sanitária e defesa do consumidor foi defendida como essencial para combater irregularidades.



