Deolane Bezerra tem habeas corpus negado e OAB suspensa em menos de 24 horas
A influenciadora e advogada enfrenta acusações de lavagem de dinheiro ligada ao PCC, enquanto sua defesa sofre reveses judiciais.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou o pedido de habeas corpus de Deolane Bezerra, apresentado para revogar sua prisão preventiva. A decisão, proferida nesta quinta-feira (25), confirma uma liminar anterior de maio. A negativa ocorre um dia após a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) suspender o exercício profissional da influenciadora como advogada.
Deolane, que está presa preventivamente desde 21 de maio, é acusada de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro atrelado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Atualmente, ela se encontra detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
Início das investigações
As investigações começaram em 2019, após a descoberta de bilhetes manuscritos em celas e na rede de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os documentos continham informações sobre integrantes do PCC. A partir daí, inquéritos foram instaurados para investigar a estrutura financeira do grupo.
Durante as apurações, uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau foi identificada como meio de movimentação de recursos da organização criminosa, realizando transferências para contas de terceiros, incluindo duas em nome de Deolane.
Acusações e defesa
Deolane Bezerra é acusada de registrar 35 empresas em um único endereço em Martinópolis, onde funcionava uma casa popular, e de receber repasses significativos da transportadora central do esquema. O delegado Edmar Caparroz afirma que as movimentações financeiras eram mascaradas por depósitos fracionados em espécie, utilizando a imagem pública da influenciadora para conferir legalidade aos recursos.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya aponta uma ligação entre Deolane e a família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, através de Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola.
Risco de fuga e manutenção da prisão
A prisão preventiva foi mantida sob o argumento de risco de fuga, já que Deolane havia retornado ao Brasil da Europa na véspera de sua prisão. Seu nome chegou a ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol. A defesa de Deolane, liderada pelo advogado Aury Lopes Jr., nega as acusações, afirmando que os valores investigados são frutos de sua atividade como advogada.
Esta é a segunda prisão de Deolane em menos de dois anos. Em 2025, ela foi investigada por suposta lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas online em Pernambuco. Enquanto aguarda o andamento do processo, Deolane permanece presa e com sua atividade de advogada suspensa pela OAB-SP.



