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Vacina do Butantan contra dengue é suspensa temporariamente

Ministério da Saúde interrompeu o uso da vacina do Butantan após eventos adversos graves; Qdenga continua disponível no SUS.

O Ministério da Saúde anunciou, na última segunda-feira (8/6), a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi motivada pela identificação de eventos adversos considerados graves durante o monitoramento de segurança realizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). A recomendação para quem já recebeu a vacina é ficar atento a sinais e sintomas de alerta, especialmente nos primeiros 21 dias após a aplicação da dose.

É importante ressaltar que a suspensão se aplica exclusivamente ao imunizante do Butantan, que vinha sendo utilizado em profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto em municípios selecionados. A vacina Qdenga, desenvolvida pelo laboratório Takeda, continua disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos de idade.

Principais diferenças entre os imunizantes

A Qdenga, aprovada pela agência reguladora em março de 2023 e incorporada ao SUS em dezembro do mesmo ano, é feita com o vírus da dengue atenuado. Isso significa que o imunizante contém o vírus vivo, mas enfraquecido, sendo seguro para aplicação sem causar a doença. Apesar de utilizar apenas o subtipo DEV-2 atenuado, a Qdenga protege contra os quatro tipos do vírus da dengue.

Por sua vez, a vacina do Butantan é composta pelos quatro tipos do vírus da dengue em versões enfraquecidas, o que pode resultar em uma imunidade maior e mais rápida. A professora Anamélia Lorenzetti, da Universidade de Brasília (UnB), explica que a Qdenga requer uma segunda dose de reforço devido à sua menor imunogenicidade.

Efeitos colaterais e recomendações

Após a aplicação da Qdenga, podem surgir sintomas leves e temporários, que duram até três dias. Já a vacina do Butantan foi testada em 16.235 pessoas, apresentando eventos adversos graves em menos de 0,1% dos casos, todos com recuperação completa.

A suspensão foi recomendada pelo Comitê Nacional de Farmacovigilância para investigar mais a fundo os casos e reunir informações adicionais sobre os eventos observados, especialmente porque algumas manifestações não foram identificadas nos estudos clínicos prévios.

GED

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