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Caiado acusa Lula de desconhecer potencial das terras raras e defende modelo de Goiás

Ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência voltou a rebater Lula após críticas ao acordo goiano com representantes dos Estados Unidos; Caiado afirma que objetivo é trazer tecnologia, agregar valor e evitar venda apenas de minério bruto

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à política de incentivo à exploração de terras raras. Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira, 5 de maio, Caiado afirmou que, enquanto o governo federal tenta entender o tema, Goiás já tem lei sancionada e produção em andamento. “Se não sabe governar, pode copiar Goiás”, disse o político.

A declaração reacende uma disputa política e econômica em torno de minerais considerados estratégicos para o futuro da indústria global. Terras raras são usadas em tecnologias como motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, defesa, ímãs de alta performance e componentes industriais. Por isso, deixaram de ser apenas assunto de mineração e passaram a ocupar lugar central na corrida por tecnologia, energia limpa e soberania econômica.

Caiado afirmou que Goiás já produz terras raras pesadas e defendeu que o memorando assinado com representantes dos Estados Unidos e do Japão não tem como objetivo apenas vender minério bruto. Segundo ele, a ideia é trazer tecnologia, agregar valor e gerar riqueza dentro do Estado.

O ex-governador voltou ao tema no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados deveria votar um projeto de lei para criar uma política nacional de exploração de minerais críticos e estratégicos no Brasil, incluindo as terras raras. Para Caiado, o avanço da pauta em Brasília ocorreu depois da movimentação feita por Goiás.

A crítica tem alvo direto. Lula havia questionado o acordo de Goiás com representantes do governo dos Estados Unidos para exploração de minerais críticos e terras raras. Em entrevista ao ICL, no dia 8 de abril, o presidente afirmou que Caiado e o senador Flávio Bolsonaro estariam “entregando o Brasil” aos Estados Unidos e disse que a concessão de bens minerais seria atribuição da União.

Caiado rebateu a acusação afirmando que quem estaria “vendendo o Brasil” seria o próprio governo federal, ao manter o país dependente da exportação de matéria-prima sem domínio tecnológico. Ele defendeu que Goiás busca desenvolver capacidade de separação e processamento dos minerais, etapa de maior valor agregado na cadeia produtiva.

O ponto central da disputa está justamente aí: vender o minério como produto bruto ou desenvolver tecnologia para transformar esse recurso em riqueza industrial. Na prática, quem apenas extrai e exporta fica com a parte menor da cadeia. Quem domina separação, processamento e aplicação tecnológica captura mais renda, atrai indústria e ganha poder estratégico.

Goiás tem peso nesse debate porque abriga a Serra Verde, apontada como a única mineradora de terras raras em operação no Brasil. Segundo a reportagem, a empresa atualmente exporta toda sua produção para a China e recebeu, em fevereiro, aporte de US$ 565 milhões do governo americano para extração de terras raras leves e pesadas.

Essa informação amplia o alcance da discussão. O debate não é apenas estadual nem apenas eleitoral. Ele toca a disputa global por minerais críticos, em um cenário no qual países buscam reduzir dependência da China, fortalecer cadeias produtivas próprias e garantir acesso a insumos essenciais para tecnologia, energia e defesa.

Politicamente, Caiado tenta transformar a pauta em vitrine de gestão e em contraponto direto a Lula. Ao afirmar que Goiás está “muito à frente”, o ex-governador tenta associar sua imagem a desenvolvimento, planejamento e domínio tecnológico. Já Lula sustenta a crítica sobre soberania nacional e competência da União em relação a recursos minerais.

Para o cidadão comum, o assunto parece distante, mas não é. Terras raras estão por trás de celulares, carros elétricos, equipamentos médicos, energia renovável, satélites e tecnologias militares. O país que domina essa cadeia não controla apenas mineração. Controla parte da indústria do futuro.

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