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Aluno do 5º ano em Luziânia vence etapa estadual de concurso internacional

Victor Hugo, de 10 anos, aluno da Escola Municipal Laudimírio de Jesus Tormin, em Luziânia, venceu a etapa estadual do Concurso Internacional de Redação de Cartas. O estudante do 5º ano agora segue para a fase nacional da competição e pode chegar à etapa internacional, representando o Brasil em uma disputa que valoriza escrita, criatividade e desenvolvimento linguístico de jovens.

O tema proposto neste ano convidava os estudantes a escrever uma carta “a um amigo explicando a importância das relações humanas em um mundo digital”. Em tempos de celulares, redes sociais, mensagens rápidas e relações cada vez mais mediadas por telas, Victor Hugo escolheu refletir sobre algo que parece simples, mas virou urgente: a necessidade de preservar o contato humano.

Pela conquista estadual, o aluno recebeu R$ 1.725. A escola também foi premiada, com R$ 1.875. Agora, na fase nacional, os prêmios superam R$ 7 mil, e o vencedor poderá avançar para a etapa internacional do programa.

A vitória carrega um simbolismo especial para a educação pública. Victor Hugo não venceu apenas um concurso. Ele mostrou que talento, quando encontra professor atento, escola presente e família orgulhosa, pode sair de uma sala de aula municipal e alcançar o país.

O sonho do menino é se tornar advogado. Além da escrita, ele também gosta de xadrez, jogo que exige concentração, estratégia e paciência. Essas mesmas qualidades apareceram no processo de construção da carta vencedora.

Segundo Victor Hugo, a inspiração veio de histórias sobre como eram as relações antes da tecnologia. Ele contou que o desenvolvimento da redação exigiu paciência, mas foi conduzido com tranquilidade graças à orientação do professor.

A mãe do estudante, Maria Elizabete, auxiliar de serviços gerais, descreveu a conquista como motivo de orgulho para toda a família. Para ela, ver o filho descobrir “a força das palavras” não tem preço. Assim que soube do resultado, compartilhou a notícia com os familiares, que comemoraram juntos.

O professor Edésio Mendes foi quem inscreveu a carta no concurso e trabalhou o tema em sala de aula. Ele propôs aos alunos o desafio de escrever 800 palavras. Enquanto muitos desistiram diante da extensão do texto, Victor Hugo mergulhou na tarefa. Em pouco tempo, já havia escrito 400 palavras, dando início ao rascunho que depois seria lapidado com orientação pedagógica.

A trajetória da carta mostra um ponto fundamental da aprendizagem: texto bom não nasce pronto. O professor e o aluno ajustaram estrutura, refinaram vocabulário e transformaram a primeira inspiração em uma produção consistente. O resultado foi uma vitória que reforça a educação como ferramenta concreta de transformação.

O Concurso Internacional de Redação de Cartas para Jovens é promovido pela União Postal Universal, vinculada à Organização das Nações Unidas. No Brasil, a iniciativa é organizada pelos Correios e passa por etapas escolar, estadual e nacional. As três melhores cartas do país seguem para a fase internacional.

Mais do que uma disputa escolar, o concurso recupera o valor da escrita em um mundo acelerado. Escrever uma carta exige pensar no outro, organizar sentimentos, escolher palavras, construir argumento e respeitar o tempo da comunicação. Em uma geração marcada por respostas instantâneas, esse exercício ensina escuta, cuidado e profundidade.

A vitória de Victor Hugo também dá visibilidade ao trabalho silencioso de professores que insistem na leitura e na escrita como caminhos de futuro. Em muitas escolas públicas, conquistas como essa nascem de aulas comuns, desafios simples e professores que percebem quando um aluno tem algo especial a dizer.

Para Luziânia, o resultado é motivo de orgulho. Para a escola, é reconhecimento. Para a família, é emoção. Para Victor Hugo, pode ser o começo de uma trajetória ainda maior.

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