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Deputados devolvem R$ 550 milhões e transforma sobra de gabinete em asfalto para Goiás

Assembleia Legislativa de Goiás oficializa na terça-feira, 5 de maio, a devolução de recursos do duodécimo ao Executivo; dinheiro será aplicado na duplicação dos trechos Goiânia–Nova Veneza, Goiânia–Orizona e Bela Vista de Goiás–Catalão

A Assembleia Legislativa de Goiás vai oficializar, na próxima terça-feira, 5 de maio de 2026, a devolução de R$ 550 milhões ao Governo de Goiás. O valor é resultado de economias acumuladas no orçamento do Legislativo, conhecidas como sobras do duodécimo, e será destinado a obras de infraestrutura rodoviária no Estado.

O anúncio será feito pelo presidente da Alego, deputado Bruno Peixoto, do União Brasil, ao lado do governador Daniel Vilela, do MDB, e de parlamentares da base governista e da oposição. A cerimônia está prevista para ocorrer às 12h, no Salão Nobre da Assembleia Legislativa.

Segundo a Alego, os recursos serão aplicados na duplicação de três trechos considerados estratégicos: Goiânia–Nova Veneza, Goiânia–Orizona e Bela Vista de Goiás–Catalão. A escolha das obras mira corredores com importância para mobilidade, logística, integração regional e escoamento da produção.

Na prática, a devolução transforma uma sobra orçamentária do Legislativo em investimento direto no Estado. O duodécimo é o repasse mensal feito pelo Executivo aos demais Poderes e órgãos autônomos para garantir funcionamento e independência institucional. Quando há economia ao longo do exercício, parte desses valores pode ser devolvida ao caixa do Estado.

O valor chama atenção pelo tamanho. Segundo publicações sobre o anúncio, a devolução de R$ 550 milhões representa o maior repasse já feito pela Assembleia Legislativa de Goiás ao Executivo estadual. O montante também coloca a Alego entre as maiores devoluções de duodécimo do país no exercício de 2025, atrás da Assembleia Legislativa do Paraná, que devolveu R$ 620 milhões.

A devolução ocorre após meses de diálogo entre Legislativo e Executivo sobre o destino dos recursos. As sobras vinham sendo discutidas desde o ano passado, em meio ao debate sobre reorganização fiscal, investimentos públicos e adesão de Goiás ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag, concluída em dezembro de 2025.

Ao todo, devem ser duplicados mais de 60 quilômetros de rodovia

A duplicação de rodovias costuma ter impacto direto na vida de motoristas, trabalhadores, produtores rurais, comerciantes e moradores de municípios conectados por esses eixos. Estradas com maior capacidade podem reduzir riscos de acidentes, diminuir tempo de viagem, facilitar o transporte de mercadorias e ampliar a competitividade de cidades do interior.

No trecho Goiânia–Nova Veneza, a obra dialoga com o crescimento urbano e a movimentação entre a capital e municípios da Região Metropolitana e entorno. Já o eixo Goiânia–Orizona tem peso para integração regional e acesso a áreas produtivas. A ligação Bela Vista de Goiás–Catalão atende uma rota relevante para o Sudeste goiano, região com forte presença agropecuária, industrial e logística.

Politicamente, o gesto também reforça a aproximação institucional entre a Assembleia e o governo Daniel Vilela. Ao anunciar a devolução com presença de deputados da base e da oposição, a Alego tenta dar ao ato uma marca de unidade em torno de obras consideradas estruturantes.

A devolução de R$ 550 milhões também reacende um debate maior sobre orçamento público. Quando um Poder consegue acumular sobras expressivas, a sociedade tem o direito de perguntar como esse dinheiro foi economizado, por que permaneceu acumulado e qual é a melhor forma de devolvê-lo ao interesse coletivo.

Para o governo estadual, o aporte chega como reforço importante em um setor de alto custo. Obras de duplicação exigem grande volume de recursos e costumam disputar espaço com saúde, educação, segurança e folha de pagamento. A entrada de dinheiro devolvido pelo Legislativo pode acelerar projetos que, de outra forma, dependeriam de mais tempo no orçamento.

Para a Assembleia, a devolução é apresentada como sinal de gestão econômica e responsabilidade institucional. Para o Executivo, é uma chance de transformar articulação política em entrega. Para a população, será uma promessa a ser medida no asfalto.

No fim, a devolução dos R$ 550 milhões só terá valor pleno se sair do ato formal e chegar à vida real. O cidadão não trafega em discurso, não transporta produção em cerimônia e não mede segurança por nota oficial. Ele sente o resultado quando a pista melhora, a viagem encurta e a estrada deixa de ser risco para virar caminho.

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