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RÉcorde ou reCORde? MPF processa Globo em R$ 10 milhões por pronúncia de palavra

Ação alega “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa” e pede retratação pública da emissora

Uma discussão gramatical ganhou contornos judiciais e colocou a TV Globo no centro de uma ação movida pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais. O procurador Cléber Eustáquio Neves protocolou pedido de indenização de R$ 10 milhões contra a emissora sob a alegação de que jornalistas estariam pronunciando de forma incorreta a palavra “recorde”.

Segundo a ação, apresentadores e repórteres estariam utilizando a entonação “récorde”, com maior ênfase na primeira sílaba, enquanto a forma considerada adequada pela norma culta seria “reCORde”, com tonicidade na penúltima sílaba.

📚 O argumento linguístico

Na petição, o procurador sustenta que “recorde” é palavra paroxítona — ou seja, a sílaba tônica é a penúltima. Portanto, não leva acento gráfico e não deve ser pronunciada como proparoxítona.

Como base, o processo inclui trechos de programas como Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural, onde, segundo o autor da ação, a pronúncia teria sido reiteradamente utilizada com tonicidade inicial.

Pela regra da língua portuguesa, todas as palavras proparoxítonas são obrigatoriamente acentuadas. Exemplos clássicos incluem “médico”, “lógica” e “rápido”. Como “recorde” não possui acento gráfico, o entendimento do procurador é que a palavra não deve receber tonicidade na antepenúltima sílaba.

⚖️ O que pede a ação

Além da indenização de R$ 10 milhões, o processo solicita que a emissora faça uma correção pública em seus telejornais e programas esportivos, esclarecendo a pronúncia considerada correta. Também há pedido de liminar para que a medida seja adotada rapidamente.

Outro ponto sensível do processo é a alegação de “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa”, argumento que deverá ser analisado pelo Judiciário.

🗣️ Debate além do tribunal

A discussão reacende um debate antigo entre norma culta, uso corrente da língua e variações de pronúncia na comunicação oral. Especialistas costumam lembrar que a língua é dinâmica e que variações fonéticas podem ocorrer conforme contexto e regionalidade.

O MPF-MG confirmou que a ação foi protocolada. A Globo informou que não comenta processos em andamento.

Seja “récorde” ou “reCORde”, o caso já se tornou, ao menos, um recorde de repercussão no debate sobre língua e mídia no Brasil.

GED

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