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Geração Z rompe tendência histórica e reacende debate global sobre queda nas médias de QI

Estudos internacionais apontam reversão do Efeito Flynn e levantam discussões sobre educação, tecnologia, cognição e impactos sociais no longo prazo

Por décadas, a evolução cognitiva humana seguiu um padrão considerado quase incontestável pela ciência. Ao longo do século XX, cada nova geração apresentava ganhos médios de quociente de inteligência em relação à anterior, fenômeno conhecido como Efeito Flynn, associado a melhorias em saúde, nutrição, escolaridade e estímulos intelectuais. Esse movimento sustentou a ideia de progresso contínuo das capacidades cognitivas humanas, especialmente nos países industrializados. A partir dos anos 2000, no entanto, sinais consistentes começaram a indicar uma mudança de rota, culminando em um dado que tem provocado intenso debate acadêmico e social: a Geração Z, formada por pessoas nascidas aproximadamente entre 1997 e 2010, é a primeira geração moderna a apresentar médias de QI inferiores às de seus predecessores. Evidências coletadas em mais de 80 países mostram que o declínio não se limita a uma região específica, mas aparece de forma recorrente em nações da Europa, América do Norte e partes da Ásia, configurando uma tendência global que passou a ser chamada de “efeito Flynn reverso”. O início dessa inflexão coincide com profundas transformações tecnológicas e comportamentais, especialmente a popularização dos smartphones, das redes sociais e do uso intensivo de telas desde a infância, mudanças que alteraram de maneira estrutural a forma como jovens aprendem, se comunicam e processam informações. Pesquisas educacionais indicam que uma das áreas mais afetadas é a leitura, habilidade central para o desenvolvimento cognitivo complexo. Testes de compreensão textual que antes utilizavam textos longos, com centenas de palavras, foram drasticamente reduzidos para atender a uma geração com maior dificuldade de manter atenção prolongada, o que levanta questionamentos sobre a capacidade de concentração, análise crítica e abstração. Estudos comparativos mostram ainda que estudantes que utilizam computadores e dispositivos digitais por longos períodos, mesmo para fins educacionais, tendem a apresentar desempenho inferior em testes padronizados quando comparados a alunos com menor exposição a essas ferramentas, sugerindo que o uso da tecnologia, quando não mediado adequadamente, pode comprometer habilidades cognitivas tradicionais. O paradoxo chama atenção justamente porque a Geração Z é a mais exposta à informação da história, com acesso imediato a conteúdos ilimitados por meio da internet. Em vez de ampliar o repertório intelectual, essa abundância parece favorecer o consumo fragmentado de dados, a superficialidade cognitiva e a dependência de estímulos rápidos, em detrimento do raciocínio profundo e da construção de conhecimento estruturado. Especialistas em neurociência e psicologia cognitiva apontam que funções como memória de trabalho, atenção sustentada e pensamento lógico, fortemente avaliadas em testes de QI, são especialmente sensíveis ao ambiente em que se desenvolvem, e podem ser prejudicadas por rotinas marcadas por multitarefa constante e excesso de estímulos digitais. Apesar disso, o tema está longe de um consenso. Parte da comunidade científica alerta que testes de QI medem apenas determinados tipos de habilidades e podem não capturar competências emergentes importantes no século XXI, como adaptação tecnológica, resolução criativa de problemas e navegação em ambientes informacionais complexos. Há também críticas metodológicas, que apontam diferenças culturais, educacionais e socioeconômicas entre países como fatores que podem distorcer comparações geracionais. Ainda assim, o acúmulo de dados ao longo das últimas duas décadas tem sido suficiente para alimentar preocupações sobre possíveis impactos de longo prazo. Caso a tendência de queda nas médias de QI se consolide, as repercussões podem atingir diretamente sistemas educacionais, produtividade econômica, inovação e formulação de políticas públicas. Ao mesmo tempo, o debate abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre como equilibrar tecnologia e desenvolvimento humano, repensando modelos educacionais e estratégias de uso consciente das ferramentas digitais. Mais do que um diagnóstico definitivo sobre inteligência, o fenômeno lança um alerta sobre escolhas coletivas e seus efeitos silenciosos na formação cognitiva das novas gerações.

GED

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