Prefeitura do Ceará cancela Carnaval 2026 por crise hídrica e luto oficial no município

Situação de emergência causada pela seca e a morte de secretário municipal levaram à decisão de suspender a festa neste ano
Por Ana Lucia
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Diante de um cenário de grave estiagem e em respeito ao luto oficial decretado pela administração municipal, a Prefeitura de Jaguaretama, no Vale do Jaguaribe, anunciou nesta terça-feira (20) o cancelamento do Carnaval de 2026. A decisão foi comunicada pelo prefeito Marcos Cunha por meio das redes sociais e ocorreu após avaliação técnica e administrativa da atual conjuntura enfrentada pelo município.
Segundo o gestor, Jaguaretama vive situação de emergência desde 2025 em razão da seca prolongada, que afeta diretamente o abastecimento de água, a produção agrícola e a rotina das comunidades rurais. A previsão de um “inverno irregular e fraco” para este ano agravou ainda mais o quadro, exigindo redirecionamento de recursos públicos para ações prioritárias de enfrentamento à estiagem, como perfuração de poços, construção de adutoras e contratação de maquinário.
Além da crise hídrica, a administração municipal considerou o impacto da morte do secretário de Infraestrutura e Urbanismo, José Abílio Rodrigues Xavier, ocorrida em 16 de janeiro. De acordo com o prefeito, o período de 30 dias do falecimento coincide com o domingo de Carnaval, o que reforçou a decisão de suspender as festividades. “Foi uma decisão difícil, mas necessária, por motivo de força maior”, afirmou Marcos Cunha, destacando que outros eventos culturais ao longo do ano seguem mantidos.
O cancelamento do Carnaval em Jaguaretama não é um caso isolado no Ceará. A Prefeitura de Tauá, no Sertão dos Inhamuns, também anunciou a suspensão da programação carnavalesca de 2026. No município, a justificativa foi a busca pelo equilíbrio financeiro e a priorização de investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e serviços básicos.
A medida adotada pelas gestões municipais reflete um movimento de cautela diante das dificuldades climáticas e econômicas enfrentadas por diversas cidades do interior nordestino. Ao optar pelo cancelamento do Carnaval, as prefeituras afirmam priorizar a responsabilidade fiscal, a assistência à população mais vulnerável e o respeito ao momento vivido pelas comunidades locais.



