Pressão dos juros leva Tesouro a projetar dívida pública próxima de 95% do PIB nos próximos anos, diz Haddad

Relatório fiscal aponta cenário de deterioração do endividamento sem novas medidas, enquanto ministro afirma que resultado primário não é o principal fator de alta da dívida
Projeções divulgadas pelo Tesouro Nacional acenderam um alerta sobre a trajetória da dívida pública brasileira ao longo da próxima década, indicando que o endividamento pode se aproximar de 95% do Produto Interno Bruto caso não haja novas fontes de receita nem contenção adicional de despesas. O cenário foi detalhado após a apresentação da sétima edição do Relatório de Projeções Fiscais, que analisou diferentes trajetórias possíveis para a dívida bruta do governo geral.
Ao comentar os dados, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o principal fator de pressão sobre o crescimento da dívida não está no resultado fiscal em si, mas no nível elevado dos juros reais. Segundo ele, mesmo com déficits primários, o governo vem cumprindo as metas fiscais estabelecidas e promovendo ajustes graduais nas regras orçamentárias previstas nas Leis de Diretrizes Orçamentárias.
O relatório aponta que, no cenário mais adverso, a manutenção de gastos fora das regras do arcabouço fiscal, somada à ausência de compensações por aumento de arrecadação ou redução de despesas, pode levar a dívida bruta a alcançar cerca de 95,4% do PIB em 2035. Mesmo no cenário considerado mais benigno, a relação dívida/PIB chegaria a um pico próximo de 88,6% em 2032, permanecendo elevada por vários anos.
Os técnicos do Tesouro destacam que o custo dos juros e o crescimento de despesas não submetidas ao limite do regime fiscal sustentável são os principais vetores de deterioração do endividamento. A reversão desse quadro, segundo o documento, ocorreria de forma lenta e dependeria da geração de superávits primários mais robustos ao longo do tempo.
Haddad reconheceu o peso dos juros na dinâmica da dívida, mas ressaltou que os indicadores fiscais vêm apresentando melhora gradual. O ministro explicou que o déficit estimado para 2025 reflete a inclusão integral dos precatórios no cálculo, situação diferente da observada no ano anterior. Ainda assim, o Tesouro alerta que flexibilizações recentes, como as permitidas por emenda constitucional, ampliam o espaço para gastos no curto prazo e elevam a dívida no médio e longo prazos, exigindo maior esforço fiscal futuro para estabilização.



