Irã completa 84 horas sem internet após protestos contra o governo
Autoridades cortaram rede e telefonia móvel após manifestações em Teerã; ONGs alertam para impacto na comunicação e denúncias de mortes
O Irã permanece há 84 horas sem acesso à internet, após um bloqueio nacional determinado pelas autoridades na última quinta-feira (9), em meio a protestos contra o governo. A informação foi confirmada pela organização independente NetBlocks, que monitora interrupções de conectividade ao redor do mundo.
Segundo a ONG, dados de tráfego indicam que o apagão digital segue em vigor em todo o país, afetando tanto a internet quanto o sinal de telefonia móvel. O bloqueio foi imposto logo após uma grande manifestação em Teerã, quando vídeos com imagens da multidão circularam nas redes sociais.
O que levou ao bloqueio
As autoridades iranianas decidiram interromper o acesso depois que registros das manifestações ganharam repercussão online. A medida tem sido utilizada pelo governo em momentos de instabilidade, para conter a disseminação de informações e dificultar a organização de protestos.
Apesar do corte, veículos internacionais como a Al Jazeera seguem operando com autorização especial no país.
Governo fala em violência e intervenção externa
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta segunda-feira (13) que os protestos “tornaram-se violentos e sangrentos para criar um pretexto” a uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante encontro com diplomatas estrangeiros em Teerã.
Araghchi não apresentou provas para sustentar a acusação, mas declarou que “a situação está sob controle total” em todo o território iraniano.
Denúncias de mortes
Ativistas e organizações de direitos humanos contestam a versão oficial. Segundo esses grupos, ao menos 544 pessoas teriam sido mortas desde o início das manifestações, a maioria manifestantes. Os números não foram confirmados de forma independente devido às restrições de comunicação impostas pelo governo.
O apagão da internet dificulta a verificação de informações, o contato com familiares e a atuação de jornalistas e entidades internacionais, ampliando a preocupação da comunidade global com a situação no país.



