Política

YouTube lança ferramenta com IA para políticos identificarem deepfakes e protegerem sua imagem

Sistema em fase de testes permitirá que autoridades e jornalistas rastreiem vídeos manipulados com inteligência artificial e solicitem remoção na plataforma

O YouTube começou a liberar nesta semana uma nova ferramenta baseada em inteligência artificial para identificar possíveis vídeos manipulados com deepfake envolvendo políticos, autoridades e jornalistas. O recurso permite que figuras públicas rastreiem conteúdos publicados na plataforma em que seus rostos apareçam e que possam ter sido criados ou alterados com uso de IA.

A novidade está sendo liberada inicialmente para um grupo piloto e faz parte das iniciativas da plataforma para combater desinformação e manipulação digital, especialmente em períodos eleitorais.

A tecnologia funciona analisando a aparência facial da pessoa cadastrada e realizando uma varredura em larga escala nos vídeos disponíveis no YouTube. Quando encontra conteúdos semelhantes, o sistema envia uma notificação ao titular da imagem para que ele possa avaliar se o material é autêntico ou manipulado.

Caso identifique um vídeo criado ou alterado com inteligência artificial, o usuário poderá solicitar a remoção do conteúdo. A exclusão, no entanto, não ocorre automaticamente e depende de análise da própria plataforma com base nas diretrizes de privacidade.


Ferramenta começa com grupo restrito

De acordo com o YouTube, o recurso será inicialmente disponibilizado para autoridades governamentais, jornalistas e candidatos políticos selecionados diretamente pela empresa.

No Brasil, a iniciativa também será apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como parte das ações da plataforma voltadas à integridade das eleições.

A empresa informou que não divulgará a lista de participantes do projeto piloto, alegando questões de privacidade. Ainda assim, a expectativa é que o sistema seja ampliado gradualmente para mais usuários no futuro.


Cadastro exige verificação facial

Para utilizar a ferramenta, os interessados precisarão realizar um processo de verificação de identidade.

Entre os requisitos estão:

  1. Enviar um documento oficial de identificação
  2. Gravar um vídeo curto do próprio rosto, semelhante a uma selfie
  3. Possuir um canal registrado no YouTube, mesmo que não esteja ativo

Essas informações serão usadas para permitir que o sistema reconheça o rosto da pessoa em conteúdos publicados na plataforma.

Segundo o YouTube, os dados biométricos utilizados nesse processo não serão usados para treinar modelos de inteligência artificial generativa do Google, sendo aplicados apenas para verificação e funcionamento da ferramenta.


Tecnologia semelhante ao Content ID

O funcionamento do sistema lembra o Content ID, tecnologia já usada pelo YouTube para identificar automaticamente vídeos que utilizam material protegido por direitos autorais.

No caso da nova ferramenta, em vez de músicas ou imagens protegidas, o sistema procura vídeos que contenham rostos semelhantes ao da pessoa cadastrada.

A líder de políticas públicas do YouTube no Brasil, Alana Rizzo, explicou que o objetivo é dar mais controle às pessoas sobre o uso de sua imagem dentro da plataforma.


Critérios para remoção de conteúdo

Mesmo que o sistema identifique um vídeo potencialmente manipulado, a remoção dependerá de avaliação baseada nas políticas da empresa.

Entre os fatores analisados estão:

  • Se o conteúdo foi gerado ou alterado por inteligência artificial
  • Se o material apresenta alto nível de realismo
  • Se mostra a figura pública em situações sensíveis, como crimes, violência ou apoio político ou comercial
  • Se o conteúdo pode ser paródia, sátira ou de interesse público

De acordo com Leslie Miller, vice-presidente de assuntos governamentais do YouTube, vídeos claramente identificados como humor ou paródia tendem a permanecer disponíveis.


Medida ocorre em meio a regras eleitorais mais rígidas

A nova ferramenta surge em um momento em que o TSE reforçou regras sobre uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais.

Entre as medidas aprovadas pelo tribunal estão:

  • Proibição do uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidatos
  • Proibição da publicação de conteúdos produzidos com IA nas 72 horas antes da eleição
  • Responsabilização das plataformas caso não removam conteúdos considerados de risco

Nesse contexto, a ferramenta do YouTube pode ajudar a identificar rapidamente conteúdos manipulados envolvendo candidatos ou autoridades, reduzindo o impacto da desinformação durante o período eleitoral.

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