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Tarifaço de Trump não reduz déficit e EUA fecham 2025 com rombo recorde no comércio

Medidas protecionistas elevaram tensão global, mas importações cresceram e saldo negativo atingiu US$ 1,24 trilhão

Anunciado em maio de 2025 como uma virada histórica na política comercial americana, o “grande tarifaço” do governo de Donald Trump tinha um objetivo claro: forçar a reciprocidade nas trocas internacionais e estimular a produção dentro dos Estados Unidos. A estratégia buscava priorizar produtos fabricados em território americano e pressionar empresas a instalarem fábricas no país, com a promessa de reduzir o déficit comercial histórico da maior economia do mundo.


Quase um ano depois, os números mostram um cenário diferente do planejado. Em vez de recuar, o déficit comercial de bens dos Estados Unidos atingiu o recorde de US$ 1,24 trilhão em 2025, impulsionado por uma alta de 4,3% nas importações. O resultado frustrou a expectativa de que as tarifas encarecessem produtos estrangeiros a ponto de favorecer a indústria doméstica.


Parte da explicação está na reação de parceiros estratégicos como Alemanha e Japão. Em vez de cederem à pressão, os dois países ampliaram subsídios bilionários às próprias indústrias, reduzindo o impacto das tarifas americanas. Com isso, os produtos estrangeiros permaneceram competitivos no mercado dos EUA, mantendo os consumidores americanos como alguns dos maiores compradores globais.


Paralelamente, o déficit em conta corrente — indicador que mede o saldo entre entradas e saídas totais de recursos do país — subiu para 4% do Produto Interno Bruto, praticamente o dobro do nível registrado em 2019. O avanço reforça a dependência externa e amplia o debate sobre sustentabilidade fiscal e competitividade industrial.


Apesar do quadro geral negativo, um dado específico trouxe alívio à Casa Branca. O déficit comercial dos Estados Unidos com a China recuou para US$ 202 bilhões, o menor patamar em mais de duas décadas. O resultado foi celebrado como sinal de que a estratégia surtiu efeito ao menos na relação bilateral mais sensível da política externa americana.


O balanço final, no entanto, indica que a tentativa de reequilibrar o comércio global por meio de tarifas encontrou resistência internacional e efeitos colaterais que redesenharam o cenário econômico previsto inicialmente.

GED

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