Spray nasal desenvolvido em Stanford pode bloquear vírus antes da infecção

Tecnologia cria barreira preventiva no nariz e promete proteção rápida contra gripe e outras doenças respiratórias
Impedir o vírus de entrar no organismo pode ser mais eficiente do que combatê-lo depois da infecção. Essa é a proposta de pesquisadores da Universidade Stanford, que desenvolvem um spray nasal capaz de atuar como barreira preventiva contra gripe, covid-19 e outros patógenos respiratórios.
Diferentemente das vacinas tradicionais, que estimulam o sistema imunológico a reagir após o contato com o vírus, o spray age na porta de entrada das infecções: o nariz. A fórmula cria uma camada protetora na mucosa nasal que bloqueia vírus, bactérias e até agentes relacionados a alergias antes que avancem para os pulmões.
Nos testes iniciais conduzidos em laboratório, os resultados chamaram atenção. A carga viral foi reduzida em até 700 vezes nos organismos protegidos pela aplicação. Em modelos experimentais expostos a doses consideradas letais de patógenos, o grupo que recebeu o spray apresentou 100% de proteção, enquanto os não tratados desenvolveram quadros graves da doença.
Outro diferencial é o tempo de resposta. O mecanismo de defesa é ativado em cerca de três dias, prazo significativamente inferior ao das vacinas convencionais, que podem levar até duas semanas para gerar imunidade robusta. Em estudos voltados ao coronavírus, uma única aplicação manteve o sistema imunológico em estado de alerta por aproximadamente três meses.
Apesar do entusiasmo, o produto ainda precisa passar por testes clínicos em humanos para comprovar segurança e eficácia em larga escala. Caso os resultados se confirmem, a estimativa é que o spray possa chegar ao mercado em até sete anos.
A tecnologia representa uma possível mudança de paradigma no combate a doenças respiratórias, com potencial para complementar ou até reduzir a necessidade de campanhas sazonais de vacinação.



