Reforma tributária começa a mudar o bolso do consumidor nos próximos anos

Novo modelo promete mais transparência na cobrança de impostos, mas deve encarecer serviços e alterar preços de produtos gradualmente
Com a transição do sistema tributário brasileiro em andamento, os efeitos da reforma do consumo começam a sair do papel e a se aproximar do dia a dia da população. Embora as primeiras mudanças apareçam nas notas fiscais já em 2026, é a partir de 2027 que o consumidor tende a sentir impactos mais claros nos preços, especialmente em serviços. A reforma será totalmente implementada apenas em 2033, mas o período de adaptação já exige atenção de empresas e famílias.
O novo modelo substitui cinco tributos atuais por um sistema de IVA Dual. A Contribuição sobre Bens e Serviços passa a unificar PIS, Cofins e IPI, enquanto o Imposto sobre Bens e Serviços reúne ICMS e ISS. Além disso, foi criado o Imposto Seletivo, que incide sobre produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e bens minerais.
Segundo o tributarista Bruno Medeiros Durão, a mudança altera profundamente a lógica da tributação no país. A partir de 2027, quando a CBS entra em vigor com alíquotas reais, empresas deverão recalcular custos, rever contratos e ajustar preços, repassando parte da carga ao consumidor final. Um dos principais méritos do novo sistema é tornar mais clara a cobrança de impostos, hoje embutidos e cumulativos, além de adotar o princípio da tributação no destino, que tende a reduzir distorções entre estados.
Os impactos, no entanto, não serão iguais para todos. Famílias de menor renda podem se beneficiar da desoneração de itens básicos e de mecanismos de cashback em serviços essenciais, como internet e telefonia. Já a classe média deve perceber aumento em serviços recorrentes, especialmente aqueles intensivos em mão de obra.
Entre os setores que tendem a ficar mais caros no curto e médio prazo estão educação privada, planos de saúde, serviços médicos, academias, salões de beleza, tecnologia, advocacia e contabilidade. Isso ocorre porque esses segmentos hoje são menos onerados e terão menos créditos tributários a compensar no novo modelo, pressionando o preço final.
Por outro lado, produtos industrializados podem registrar queda ou menor repasse de impostos ao consumidor. Eletrodomésticos, veículos, eletrônicos e itens com cadeias produtivas longas tendem a se beneficiar do fim da cumulatividade, reduzindo custos ao longo do tempo. O grande desafio, segundo especialistas, será administrar a transição até 2033 sem gerar insegurança jurídica ou aumentos temporários excessivos de preços.



