Recuperações judiciais atingem recorde e expõem pressão sobre empresas brasileiras em 2025

Levantamento aponta avanço expressivo nos pedidos de reestruturação, com destaque para agro, indústria e um salto no valor das dívidas
Ao longo de 2025, a pressão financeira sobre empresas brasileiras ganhou contornos inéditos, refletidos no aumento recorde de pedidos de recuperação judicial. O ano terminou com 5.680 companhias em reestruturação, número que representa alta de 24,3% em relação ao estoque registrado ao final de 2024, segundo dados do Monitor RGF de Recuperação Judicial, divulgados pelo Valor Econômico.
Somente no ano passado, 1.665 empresas ingressaram com pedidos na Justiça, crescimento de 35,2% frente a 2024, enquanto 561 conseguiram encerrar o processo no mesmo período. O movimento ganhou ainda mais força no último trimestre, quando 510 companhias buscaram o Judiciário para renegociar dívidas, avanço de 7,5% na comparação com os três meses anteriores.
Além da quantidade, o tamanho do endividamento também chama atenção. As dívidas declaradas por essas empresas somaram R$ 40 bilhões no último trimestre de 2025, mais que o dobro dos R$ 16 bilhões registrados no trimestre anterior. Quase metade desse total está concentrada em um único caso: a indústria petroquímica Unigel, que entrou em recuperação judicial em outubro, com passivo estimado em R$ 19 bilhões.
Apesar do cenário de alta, o levantamento indica que as empresas em recuperação ainda representam uma parcela pequena do universo corporativo nacional: 2,13 companhias a cada mil ativas. A crise, no entanto, se mostra desigual entre os setores. A agropecuária lidera o índice, com 13,53 recuperações por mil empresas, seguida pela indústria (6,74) e infraestrutura (4,11). Comércio (1,81) e serviços (1,02) aparecem abaixo da média nacional.
O retrato de 2025 evidencia um ambiente de crédito mais restritivo e custos elevados, ampliando o desafio de sustentabilidade financeira para empresas de diferentes portes e segmentos.



