Economia & Negócios

Juros elevados travam o varejo, reduzem investimentos e derrubam confiança dos empresários

Avaliação sobre o momento econômico recua mais de 6% em um ano e atinge com força o comércio de bens duráveis

Pressionado pelo ciclo prolongado de juros elevados, o varejo brasileiro iniciou 2026 em um ambiente de desconfiança e cautela por parte dos empresários. Dados do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) mostram que, apesar de leve recuperação mensal, a avaliação sobre as condições atuais da economia e do setor caiu 6,1% em janeiro na comparação com o mesmo período do ano passado.

O levantamento, divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, aponta que o principal fator responsável pela queda é a deterioração da percepção sobre a economia. O subindicador que mede as condições atuais do cenário econômico recuou 8,1% em um ano, refletindo diretamente o impacto do alto custo do crédito sobre o consumo e os investimentos.

Com a taxa básica de juros em patamar restritivo, o acesso ao crédito ficou mais caro tanto para as famílias quanto para os empresários, afetando principalmente a compra de bens de maior valor agregado. O segmento de bens duráveis, como eletrodomésticos, eletrônicos e veículos, foi o mais impactado, registrando queda anual de 7,6% na percepção atual do comércio.

Segundo o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário de juros elevados compromete o orçamento das famílias e dificulta o planejamento dos empresários. Para ele, a redução das taxas é fundamental para devolver poder de compra ao trabalhador e estimular novos investimentos. Tadros avalia ainda que o aperto monetário tem pesado sobre a confiança do comerciante em um ano marcado por eleições e pela consolidação da nova reforma tributária.

Apesar do quadro desafiador no comparativo anual, o relatório aponta sinais pontuais de resiliência no curto prazo. Ajustado pelos efeitos sazonais, o Icec avançou 0,9% em janeiro em relação a dezembro, atingindo 103 pontos, o maior nível desde julho de 2025 e a terceira alta mensal consecutiva.

Outros indicadores também apresentaram melhora, como a intenção de contratação, que cresceu 1,8% no mês, e a intenção de consumo das famílias, com alta de 0,8%, impulsionada pela percepção positiva sobre o emprego atual. A gestão de estoques foi o único subindicador com crescimento anual, ainda que discreto, indicando maior cautela e planejamento por parte dos varejistas.

A expectativa da CNC é de que uma eventual redução da taxa Selic a partir do segundo trimestre possa aliviar o cenário, destravando investimentos e contribuindo para a retomada gradual da confiança no comércio.

GED

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