Estudo do Ipea indica que mercado pode absorver fim da escala 6×1 com impacto limitado nos custos

Análise aponta efeito inferior a 1% em grandes setores e destaca potencial redução de desigualdades no mercado de trabalho
Uma eventual redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com o fim da escala 6×1, pode ser absorvida pelo mercado de trabalho brasileiro sem impactos significativos nos custos das empresas. A avaliação consta em estudo divulgado nesta terça-feira, dia 10, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que comparou os efeitos da medida a reajustes históricos do salário mínimo já incorporados pela economia sem perda relevante de empregos. De acordo com o levantamento, o custo adicional da mudança seria inferior a 1% em grandes setores como indústria e comércio, já que, nessas áreas, o gasto com mão de obra representa parcela relativamente pequena do custo operacional total. A análise mostra que a adoção de uma jornada geral de 40 horas elevaria em 7,84% o custo do trabalhador celetista, mas esse impacto é diluído diante de despesas com estoques, investimentos em maquinário e logística. Em segmentos de serviços mais intensivos em mão de obra, como vigilância, limpeza e serviços prediais, o impacto pode chegar a 6,5%, o que exigiria políticas públicas específicas e uma transição gradual, especialmente para pequenas empresas. O estudo também aponta que empresas de menor porte concentram proporcionalmente mais trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas, o que reforça a necessidade de adaptação progressiva e de alternativas como contratos em meio período. Além do aspecto econômico, a pesquisa destaca um efeito social relevante: jornadas mais longas estão associadas a trabalhadores de menor renda e escolaridade. Segundo o Ipea, mais de 83% dos vínculos de pessoas com até o ensino médio completo estão submetidos a jornadas acima de 40 horas, proporção que cai para 53% entre trabalhadores com ensino superior. A redução da jornada, nesse contexto, tende a elevar o valor da hora trabalhada e reduzir desigualdades no mercado de trabalho. O debate ganhou força no Congresso Nacional neste início de ano. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que a votação do tema está entre as prioridades da Casa. Estão em discussão propostas como a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton, e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes. O assunto também foi incluído pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre as prioridades do governo federal para o semestre.



