Goiânia

Entregadores de aplicativos protestam em Goiânia por melhores condições de trabalho

As ruas de Goiânia foram palco, nesta última segunda-feira (1º), de uma manifestação organizada por entregadores de aplicativos, em adesão ao movimento nacional “Breque dos Apps 2025”. Com buzinas, cartazes e mochilas nas costas, os trabalhadores se reuniram no Cepal do Setor Sul e seguiram em motociata até a Praça Cívica, reivindicando mudanças nas condições de trabalho.

Entre as principais pautas do protesto estão o reajuste da taxa mínima por entrega – que atualmente é de R$ 6,50 – para R$ 10,00, além do aumento do valor pago por quilômetro rodado, de R$ 1,50 para R$ 2,50. Os entregadores também pedem que os aplicativos limitem as rotas de ciclistas a até 3 km por pedido e que cada entrega seja remunerada de forma individual, mesmo quando houver múltiplas entregas em um único trajeto.

  • Na pandemia, a gente era visto como herói. Mas esses heróis não são valorizados – lamentou Edgar, uma das lideranças do movimento, ao criticar a precariedade do modelo atual. Segundo ele, as plataformas já têm conhecimento das reivindicações há tempos, mas pouco ou nada foi feito.

Os manifestantes também denunciaram o que chamam de “escravidão moderna” – termo estampado em faixas e cartazes durante o protesto. A expressão é usada para descrever a relação considerada desigual entre os entregadores e as empresas de aplicativo, marcada pela ausência de garantias trabalhistas, remuneração instável e altos custos operacionais arcados pelos próprios trabalhadores.

Realidade que afeta milhares

Com o crescimento do setor de entregas durante a pandemia, a categoria ganhou visibilidade, mas ainda enfrenta uma série de desafios. A falta de vínculo empregatício formal com as plataformas significa que os entregadores arcam sozinhos com combustível, manutenção das motos, alimentação e demais despesas – além de não contarem com direitos básicos como férias, 13º salário ou licença médica.

  • Não dá mais para continuar assim. Estamos pagando para trabalhar – afirmou outro manifestante durante o ato.

A paralisação em Goiânia faz parte de uma mobilização nacional, realizada simultaneamente em diversas capitais e cidades do interior. O objetivo é pressionar as empresas responsáveis pelos aplicativos de entrega a negociarem condições mais justas e transparentes com a categoria.

O outro lado

Até o fechamento desta edição, as principais plataformas de entrega – como iFood, Rappi e Uber Eats – não haviam se manifestado oficialmente sobre o protesto. No entanto, os organizadores da paralisação afirmam que novas mobilizações podem ocorrer caso não haja abertura para diálogo por parte das empresas.

GED

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