Política

Entre alianças e sobrevivência: o que está por trás da troca de partido de Professor Alcides em Goiás

Jornalista Thais Silva
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A saída do deputado federal Professor Alcides do PL e sua iminente filiação ao PSDB, liderado em Goiás por Marconi Perillo, não é apenas uma mudança partidária. O movimento, articulado com o aval do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e do presidente estadual da sigla, senador Wilder Morais, revela uma estratégia política que ultrapassa a narrativa oficial e projeta impactos no cenário eleitoral de 2026.

A negociação, construída nos bastidores desde o ano passado, ganhou contornos públicos após meses de desgaste interno no PL. A permanência do parlamentar tornou-se politicamente delicada, especialmente após a derrota na disputa pela Prefeitura de Aparecida de Goiânia e o acúmulo de controvérsias que fragilizaram sua posição dentro da legenda.

Ao optar por uma saída negociada, inclusive fora da janela partidária, o deputado evita ruptura formal e preserva pontes. O chamado “acordo de cavalheiros” sinaliza que, apesar das divergências, houve cálculo estratégico de ambos os lados.

O cálculo político por trás da mudança
No tabuleiro eleitoral, a decisão atende a interesses convergentes. Para o deputado, a troca representa reorganização de base e reposicionamento de imagem. Para o PSDB, trata-se de ampliar musculatura na chapa proporcional, mirando competitividade na disputa por cadeiras na Câmara dos Deputados.

A movimentação ocorre em um momento em que partidos buscam fortalecer nominatas com nomes que já possuem recall eleitoral e estrutura consolidada. Professor Alcides, apesar dos desgastes, mantém capilaridade regional e presença consolidada em Aparecida de Goiânia.

Além disso, a aproximação com o PSDB recoloca o parlamentar em um campo político onde já esteve anteriormente, entre 2015 e 2018. O gesto de abrir seu escritório político para agendas do ex-governador em Aparecida reforça a sinalização de alinhamento e construção conjunta.

O impacto no PL e o discurso ideológico
Internamente, a saída também atende a uma necessidade do PL de manter coerência discursiva. A legenda, que nacionalmente adota uma linha conservadora mais rígida, enfrentava desconforto com o desgaste envolvendo o parlamentar.

A leitura predominante foi pragmática: manter o deputado poderia gerar ruído desnecessário em ano pré-eleitoral. Liberá-lo, com anuência das principais lideranças, evita conflito público e preserva a estratégia maior do partido no Estado.

Estratégia para 2026 já está em curso
Mesmo com a filiação oficial prevista para março, os movimentos indicam que a articulação já está em curso. A tendência é que o deputado integre a lista de apostas do PSDB para fortalecer a chapa federal, ao lado de outros nomes que devem compor o projeto eleitoral tucano.

O episódio evidencia um ponto central da política contemporânea: mais do que fidelidade ideológica, prevalece a lógica de viabilidade eleitoral. Trocas partidárias, quando negociadas com cuidado, são instrumentos de sobrevivência e reposicionamento estratégico.

Para o eleitor, o momento exige atenção. Mudanças como essa não são apenas individuais — elas alteram arranjos regionais, redesenham alianças e podem influenciar diretamente a correlação de forças nas próximas eleições.

GED

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