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Entenda a combinação de fenômenos que provocou a tragédia das chuvas em Minas Gerais

Tempestade histórica deixou ao menos 38 mortos na Zona da Mata; fenômenos climáticos explicam intensidade do desastre

Uma combinação de três fenômenos meteorológicos provocou a tempestade histórica que matou ao menos 38 pessoas e deixou dezenas de desaparecidos na Zona da Mata de Minas Gerais nesta semana.

As cidades mais atingidas foram Juiz de Fora, com 32 mortes confirmadas até o momento, e Ubá, onde seis óbitos foram registrados. As chuvas provocaram deslizamentos de encostas, soterramento de residências, alagamentos e centenas de desabrigados.

Especialistas apontam que a tragédia foi resultado da atuação conjunta de uma frente fria, um cavado atmosférico e a formação de uma supercélula.


O papel da frente fria

Segundo meteorologistas, a passagem de uma frente fria pelo Sudeste trouxe instabilidade desde o litoral paulista, passando pelo Rio de Janeiro e alcançando a Zona da Mata mineira.

O sistema encontrou condições favoráveis para tempestades: temperaturas elevadas e grande disponibilidade de umidade na atmosfera. O relevo da região também contribuiu para intensificar os acumulados.

Em Juiz de Fora, foram registrados cerca de 100 milímetros de chuva em menos de 12 horas — volume que representa mais da metade da média histórica de fevereiro, que é de aproximadamente 170 mm.


O que é uma supercélula

A frente fria estimulou a formação de uma supercélula, um tipo raro e severo de tempestade caracterizado por uma corrente de ar ascendente rotativa, chamada mesociclone.

Entre as classificações de tempestade — unicélula, multicélula, linha de instabilidade e supercélula — esta última é considerada a mais intensa. Pode provocar chuva torrencial concentrada em curto período, ventos fortes, granizo e descargas elétricas.

Nesse caso, a supercélula despejou grande volume de água em áreas específicas, aumentando o risco de enxurradas e deslizamentos.


O que é o cavado atmosférico

O cavado é uma região alongada de baixa pressão em níveis médios da atmosfera. Ele favorece a ascensão do ar quente e úmido, alimentando a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical.

Esse fenômeno funcionou como um “impulsionador” da tempestade, intensificando o crescimento da supercélula ao fornecer mais umidade e instabilidade.


Mudanças climáticas influenciaram?

Especialistas afirmam que eventos desse tipo são comuns no verão brasileiro. No entanto, ainda não é possível atribuir um evento isolado diretamente às mudanças climáticas sem estudos específicos.


O que esperar nos próximos dias

A previsão indica continuidade de chuvas na região até o fim da semana, embora com volumes menores do que os já registrados.

Mesmo assim, o cenário preocupa, pois o solo permanece encharcado. Há risco de novos deslizamentos e transbordamentos de rios, inclusive em outras áreas de Minas Gerais, como Vale do Jequitinhonha, Vale do Rio Doce e a bacia do Muriaé.

Autoridades seguem monitorando a situação enquanto equipes de resgate continuam as buscas por desaparecidos.

GED

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