Empresários articulam reação contra proposta que prevê fim da jornada 6×1

Entidades defendem adiamento da votação e preparam estudos para rebater impactos da mudança no Congresso
A proposta que prevê o fim da jornada 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — mobilizou associações empresariais, frentes parlamentares e lideranças do setor produtivo em uma articulação para frear a tramitação no Congresso Nacional. A estratégia principal é adiar a votação para depois das eleições de outubro, além de intensificar o debate técnico sobre possíveis impactos econômicos da mudança.
O tema ganhou força após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar o envio de projeto sobre o assunto ao Congresso e o presidente da Câmara, Hugo Motta, decidir encampar a Proposta de Emenda à Constituição apresentada pela deputada Erika Hilton. A medida estabelece ao menos dois dias de descanso semanal aos trabalhadores.
Representantes empresariais avaliam que o alto apelo popular dificulta barrar a proposta no primeiro semestre. Por isso, a atuação deve começar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com pedidos de audiências públicas e debates técnicos para ampliar o prazo de análise. Como se trata de PEC, a tramitação exige quórum qualificado e etapas mais longas de discussão.
Entidades como a Confederação Nacional da Indústria e a Confederação Nacional dos Transportes defendem que o tema seja debatido com base em estudos e projeções de impacto. Empresários argumentam que a redução da jornada pode elevar custos operacionais, pressionar preços ao consumidor e estimular informalidade.
Entre as alternativas discutidas estão a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas até 2030, autorização para pagamento por hora trabalhada e desoneração da folha de salários para compensar eventuais aumentos de custo. Setores como bares e restaurantes estimam que a mudança poderia gerar aumento significativo nas despesas com pessoal.
Do lado dos defensores da proposta, o argumento central é garantir dois dias de descanso por semana como medida de qualidade de vida e valorização do trabalhador. O debate promete se intensificar nas próximas semanas, com apresentação de manifestos, estudos técnicos e mobilização política em torno de uma das pautas trabalhistas mais relevantes do ano.



