Autonomia de crianças neurodivergentes é construída com apoio e paciência
Especialistas destacam a importância das Atividades de Vida Diária no desenvolvimento de habilidades e na promoção da autonomia infantil.
Escolher a roupa, guardar brinquedos, escovar os dentes e ajudar a preparar refeições são ações automáticas para muitos adultos, mas representam um importante aprendizado para crianças, especialmente as neurodivergentes. Para essas crianças, a autonomia é construída aos poucos, envolvendo oportunidades de experimentar atividades e assumir responsabilidades compatíveis com suas habilidades.
Atividades de Vida Diária
As Atividades de Vida Diária (AVDs) são fundamentais nesse processo, abrangendo ações de autocuidado e rotina, como alimentação, higiene e organização. A terapeuta ocupacional Adriana Paraguassu explica que, para crianças neurodivergentes, tarefas simples podem precisar ser divididas em etapas para serem realizadas de forma independente.
“Cada paciente tem seu próprio ritmo e diferentes formas de aprender. O estímulo à autonomia deve começar cedo, acompanhando as possibilidades de cada criança. Quando ela demonstra condições de participar de uma atividade, é importante criar oportunidades para que experimente e assuma gradualmente parte da tarefa”, afirma Adriana.
O papel da família no aprendizado
Adriana destaca que a ajuda dos pais não deve se resumir a fazer pela criança, mas sim ensinar a fazer, ajustando o suporte conforme novas habilidades são adquiridas. Isso permite que a criança perceba suas capacidades e participe das decisões cotidianas.
Transferência de habilidades para o cotidiano
Na Affect Centro Clínico e Educacional, em Goiânia, ambientes terapêuticos simulam cômodos de uma residência, permitindo que habilidades aprendidas na terapia sejam aplicadas em situações reais. A fisioterapeuta Rafaela Campos, diretora multiprofissional da unidade, reforça que o desafio é fazer com que o aprendizado seja utilizado em casa, na escola e em outros ambientes.
“A autonomia não depende apenas da terapia, mas das oportunidades oferecidas à criança nos espaços onde vive. É preciso reconhecer quando ajudar e quando permitir que a criança experimente e conquiste novas habilidades”, destaca Rafaela.
O desenvolvimento da autonomia não deve ser comparado entre crianças, mas medido pela ampliação das habilidades de cada indivíduo. O aprendizado em tarefas pequenas pode preparar crianças e adolescentes para outras fases da vida, contribuindo para uma participação ativa em diferentes etapas.



