Após deixar o Jornal Nacional, Bonner relata mudança radical na reação do público

Fora da bancada há três meses, jornalista diz que voltou a usar ponte aérea após mais de uma década evitando exposições públicas
Longe da rotina diária do Jornal Nacional há cerca de três meses, William Bonner afirmou que passou a perceber uma mudança profunda na forma como é tratado pelo público. Durante encontro da equipe de Jornalismo da TV Globo com profissionais da imprensa, o jornalista revelou que voltou a utilizar a ponte aérea entre Rio de Janeiro e São Paulo após 12 anos evitando o trajeto de avião por receio de hostilidades com viés político.
Segundo Bonner, a decisão de abandonar os voos curtos foi tomada em 2013, em meio às manifestações daquele ano, quando se tornou frequente o risco de abordagens agressivas em locais públicos. À época, o então apresentador do principal telejornal do país passou a ser alvo tanto de ataques vindos da esquerda quanto da direita, situação que ele descreveu como um ambiente de intolerância deliberada. Para evitar constrangimentos e possíveis registros que se espalhassem nas redes sociais, optou por viagens terrestres, mesmo com a rotina intensa de deslocamentos.
No relato feito aos colegas, Bonner afirmou que, após deixar a bancada do JN, esse cenário mudou de forma perceptível. Ele ironizou a nova fase dizendo que se sente “como se tivesse falecido”, numa referência ao tom mais ameno adotado pelo público e até pela imprensa após sua saída do telejornal. De acordo com o jornalista, a hostilidade diminuiu significativamente e, até o momento, ele não enfrentou episódios de confronto durante as viagens de avião.
O comunicador também avaliou que o atual contexto político do país contribuiu para essa mudança de comportamento, com menor espaço para manifestações públicas agressivas. Ainda assim, ponderou que não necessariamente passou a ser mais querido, mas que o ambiente geral se tornou menos propício a ataques diretos.
Bonner participou do evento para apresentar as novidades do jornalismo da Globo em 2026 e falar sobre o Globo Repórter, que passará a comandar ao lado de Sandra Annenberg. Segundo ele, a nova fase profissional representa um ritmo mais leve, marcado por maior proximidade do público, que hoje prefere fotos e conversas a manifestações hostis.



