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Aplicação de desinfetante na veia leva técnicos de enfermagem a serem investigados como serial killers

Polícia apura possível atuação criminosa de técnicos de enfermagem em UTI do Distrito Federal; número de vítimas pode chegar a cerca de 20

A rotina de uma unidade de terapia intensiva no Distrito Federal passou a ser alvo de uma das investigações mais graves já conduzidas na área da saúde após indícios de que pacientes internados teriam morrido de forma intencional. Técnicos de enfermagem de um hospital particular são suspeitos de aplicar substâncias inadequadas diretamente na veia de pacientes, o que pode ter provocado uma sequência de óbitos ao longo de semanas.

As apurações são conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal, que revelou a suspeita de ao menos três homicídios já confessados e trabalha com a hipótese de que o número total de vítimas possa chegar a cerca de 20. Os investigados são dois técnicos e uma técnica de enfermagem que atuavam na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga.

Segundo a polícia, um dos investigados é apontado como principal executor das ações, enquanto as outras duas servidoras teriam atuado como facilitadoras. Em depoimento, dois deles admitiram a prática de homicídios após serem confrontados com imagens do circuito interno de segurança, que mostram aplicações irregulares de medicamentos e substâncias químicas em pacientes em estado crítico.

As investigações indicam que, além do uso indevido de medicamentos em doses elevadas, ao menos uma paciente recebeu aplicações repetidas de desinfetante diretamente na corrente sanguínea. O procedimento teria causado sucessivas paradas cardíacas antes da morte. Para tentar ocultar a autoria, o suspeito ainda simulava manobras de reanimação logo após as aplicações.

O caso começou a ser apurado após a direção do hospital identificar pioras súbitas e incompatíveis com o quadro clínico de alguns pacientes. A análise das imagens da UTI revelou que as aplicações ocorreram sem prescrição médica e, em um dos episódios, com uso indevido da senha de um profissional para emitir receita falsa.

Os três técnicos foram presos e demitidos pela instituição. A polícia também investiga se crimes semelhantes ocorreram em outros hospitais onde o principal suspeito teria trabalhado anteriormente. O inquérito segue sob sigilo parcial, com novas perícias e análise de equipamentos eletrônicos apreendidos.

Em nota, o hospital informou que colabora integralmente com as autoridades e reforçou que os fatos investigados não refletem os protocolos e valores da instituição. O Conselho Regional de Enfermagem também acompanha o caso e afirmou que adotará as medidas cabíveis após a conclusão das investigações.

GED

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