Acordo Mercosul–União Europeia amplia acesso do Brasil ao mercado global e zera tarifas para mais de 5 mil produtos

Tratado prevê abertura gradual, protege a indústria nacional e pode gerar empregos e renda com expansão das exportações
Uma mudança estrutural no comércio exterior brasileiro começa a se desenhar com a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, formalizada neste sábado, dia 17, em Assunção, no Paraguai. O tratado deve permitir que mais de 5 mil produtos brasileiros ingressem no mercado europeu com tarifa zero, ampliando de forma significativa a presença do país no comércio global.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria aponta que 54,3% dos produtos exportados pelo Brasil passarão a ter imposto zero na Europa assim que as regras entrarem em vigor. Atualmente, o país tem acesso a apenas 8% do mercado mundial de importações. Com o acordo, esse percentual pode saltar para 36%, impulsionado pelo peso da União Europeia, que responde por quase um terço do comércio internacional.
Um dos pontos considerados estratégicos é o modelo de transição adotado no tratado. Enquanto 82,7% das exportações brasileiras para a Europa terão tarifa zerada de forma imediata, o Brasil contará com prazos mais longos para reduzir impostos sobre produtos europeus. Em alguns casos, o período de adaptação varia entre 10 e 15 anos, garantindo proteção à indústria nacional e tempo para ajustes produtivos e tecnológicos.
Para a CNI, a conclusão do acordo após 25 anos de negociações representa uma virada estratégica para o país. Além da redução de custos, o tratado estabelece regras mais modernas para comércio, investimentos e inovação, criando um ambiente de maior previsibilidade para empresas brasileiras de diferentes portes.
Os impactos também se refletem no mercado de trabalho. Dados apontam que, a cada R$ 1 bilhão exportado para a União Europeia, cerca de 21,8 mil empregos são gerados no Brasil, com movimentação de aproximadamente R$ 441 milhões em salários e R$ 3,2 bilhões na produção nacional. O setor agroindustrial tende a ser um dos mais beneficiados, com destaque para carnes e grãos, que terão cotas ampliadas.
Apesar da assinatura, o acordo ainda depende de ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais dos países do Mercosul. A implementação gradual permitirá que empresas planejem sua inserção no mercado europeu, consolidando o tratado como um dos mais relevantes já firmados pelo bloco sul-americano.



