Durante Romaria do Muquém, bispo de Formosa defende casamento celebrado diante do altar

Dom Adair José Guimarães fez as declarações durante missa no Santuário de Nossa Senhora da Abadia de Muquém, em Niquelândia, e também relacionou a vida religiosa à estabilidade dos casais
O bispo da Diocese de Formosa, dom Adair José Guimarães, criticou a realização de casamentos em clubes, praias e às margens de lagos durante missa celebrada no Santuário de Nossa Senhora d’Abadia do Muquém, em Niquelândia, no norte de Goiás.
A declaração foi feita na sexta-feira, 14 de agosto, durante a programação da 278ª Romaria do Muquém, uma das mais antigas manifestações religiosas do Estado.
Ao falar sobre o matrimônio aos fiéis, o religioso defendeu que a celebração católica seja realizada diante do altar. “O casamento se realiza na frente do altar”, afirmou. Dom Adair acrescentou que fica com o “coração triste” quando vê jovens, sobretudo de famílias de maior renda, optarem por cerimônias em clubes, praias ou lagos.
Associou a vida matrimonial à participação religiosa e sustentou que a oração, a Eucaristia e a devoção mariana fortalecem a união entre os casais. A abordagem do tema também está relacionada à formação do bispo.
Natural de Mara Rosa, dom Adair nasceu em 16 de junho de 1960 e tem especialização em Direito Canônico Matrimonial pela Faculdade São Bento, no Rio de Janeiro. Estudou Filosofia e Teologia e foi ordenado sacerdote em dezembro de 1986.
Antes de chegar ao episcopado, passou por paróquias de Uruaçu, Mara Rosa e Minaçu, municípios do norte goiano, além de atuar na formação de seminaristas e nas pastorais Vocacional e da Juventude.
Em 2008, foi nomeado bispo da Diocese de Rubiataba-Mozarlândia. Onze anos depois, em fevereiro de 2019, o papa Francisco o transferiu para a Diocese de Formosa. A posse ocorreu em 1º de junho daquele ano. A diocese, criada em 1979, integra a Província Eclesiástica de Brasília e o Regional Centro-Oeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com presença em municípios do nordeste goiano e do Entorno do Distrito Federal.
A missa em que dom Adair fez as declarações integrou uma tradição que atravessa quase três séculos. Registros históricos preservados pelo Santuário do Muquém apontam que a devoção a Nossa Senhora d’Abadia chegou à região em 1748.
Uma das referências documentais é uma carta escrita no século 19 pelo padre Daniel da Silva Rocha, então responsável pela romaria, segundo a qual a imagem da santa teria sido levada ao povoado pelo português Antônio Antunes de Carvalho, acompanhado de famílias e escravizados vindos da Bahia.
A tradição religiosa se consolidou ao longo das gerações e transformou o distrito de Muquém em um dos principais pontos de peregrinação de Goiás. Parte dos romeiros percorre a pé cerca de 45 quilômetros entre Niquelândia e o santuário.
A programação reúne missas, novenas, procissões e momentos de oração. Em 2026, quando a celebração chegou à 278ª edição, a estimativa divulgada durante o evento apontou a participação de mais de 400 mil fiéis.
A dimensão da romaria vai além das cerimônias realizadas dentro do santuário. Durante os dias de peregrinação, o fluxo de fiéis modifica a rotina do distrito e mobiliza estruturas de acolhimento, atendimento e voluntariado.
A programação religiosa tradicionalmente ocorre na primeira quinzena de agosto e faz com que famílias permaneçam acampadas na região durante vários dias, mantendo um costume transmitido entre diferentes gerações de romeiros.
A presença da Igreja Católica na região também se estende a atividades pastorais e sociais. Na Diocese de Formosa, comandada por dom Adair, a organização pastoral contempla áreas como família, juventude, educação, formação religiosa e caridade.
A estrutura ligada à diocese mantém ainda registro de obras sociais voltadas a diferentes públicos, entre elas instituições de convivência e atendimento a idosos e centros de assistência social em Formosa, Posse e Planaltina de Goiás.
As Obras Sociais da Diocese de Formosa tiveram sua fundação registrada em janeiro de 1957. No Muquém, a ligação entre religiosidade e vida comunitária ganhou dimensão ainda maior neste ano. A romaria de 2026 ocorreu em um período em que a Diocese de Uruaçu, responsável pelo território onde fica Niquelândia, celebra 70 anos de sua trajetória diocesana.
O Santuário de Nossa Senhora d’Abadia permanece como um dos principais centros dessa presença religiosa no norte do Estado e como destino anual de peregrinos vindos de diferentes cidades de Goiás e de outras regiões do país.
Foi nesse ambiente de peregrinação, tradição familiar e prática religiosa que dom Adair inseriu sua defesa do matrimônio celebrado no templo. A manifestação ocorreu na reta final de uma romaria iniciada há 278 anos e que, mesmo com as mudanças na infraestrutura e no deslocamento dos peregrinos, mantém como elementos centrais as caminhadas, as celebrações e a devoção a Nossa Senhora d’Abadia.



